Israel prende 10 suspeitos de ataques contra diplomatas na Cisjordânia
Internacional

Israel prende 10 suspeitos de ataques contra diplomatas na Cisjordânia

  • 19/10/2026 05:53
  • Redação

Em meio à pressão dos Estados Unidos sobre o aumento da violência de colonos na Cisjordânia ocupada, a polícia israelense prendeu pelo menos 10 suspeitos de envolvimento nos ataques ocorridos no fim de semana contra uma jornalista do Washington Post e uma comitiva de diplomatas europeus.

A polícia informou que a operação para localizar e prender os suspeitos foi chamada de “Folha de Oliveira”, uma aparente referência ao início recente da colheita de azeitonas na Cisjordânia, período em que houve um aumento expressivo dos ataques de colonos.

Na sexta-feira (16), colonos atacaram e hospitalizaram a experiente fotojornalista do Washington Post Heidi Levine enquanto ela viajava com um grupo de palestinos no início da colheita de azeitonas. Um dia depois, colonos atacaram um grupo de diplomatas europeus que visitava a cidade cristã palestina de Taybeh.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, elogiou as prisões como um “avanço muito positivo para encontrar e punir aqueles que atacaram e espancaram gravemente Heidi Levine”.

Segundo a polícia, forças de segurança trabalharam com o Exército israelense para localizar e prender os suspeitos na região onde ocorreram os ataques. “Durante essa operação, 10 suspeitos foram presos, materiais que os vinculam aos incidentes foram apreendidos e vários veículos foram confiscados”, informou a polícia.

“Estamos trabalhando para reunir provas, materiais e depoimentos e consolidar uma base probatória que permita levar os envolvidos à Justiça”, afirmou o superintendente da Polícia de Israel Moshe Pinchi em comunicado.

A organização israelense de direitos humanos Yesh Din documentou mais de 530 incidentes de violência de colonos desde o início da colheita de azeitonas, no fim de setembro, uma média de 27 episódios violentos por dia. Segundo a Yesh Din, soldados israelenses estavam presentes em aproximadamente um quarto dos ataques registrados nesse período.

No sábado (17), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo Trump comunicou a Israel que os americanos “não querem ver um novo foco de tensão” na Cisjordânia e pediu que o país tome medidas contra a violência de colonos.

“Pedimos aos israelenses e continuamos pedindo que reprimam esse tipo de coisa”, disse Rubio antes de embarcar para a Índia e o Uzbequistão. “O presidente foi muito claro. Ele disse isso repetidamente. Não quer ver atritos nem nada — uma crise — acontecendo na Cisjordânia.”

Apesar dos vídeos dos ataques contra Levine, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou lançar dúvidas sobre os episódios de violência, afirmando posteriormente que “ainda restam questões sérias”. Em uma aparente tentativa de evitar desagradar sua base eleitoral de direita tão perto das eleições israelenses, Netanyahu minimizou repetidamente a gravidade e a dimensão da violência de colonos, alegando que ela é praticada por um grupo dissidente.

Enquanto isso, o ministro da Defesa de Israel afirmou nesta segunda-feira (19) que não restabelecerá a detenção administrativa para cidadãos judeus israelenses, medida que permite às autoridades manter suspeitos presos sem acusação formal ou julgamento. O recurso drástico era uma das ferramentas mais eficazes de Israel contra o extremismo de colonos, mas o ministro da Defesa suspendeu sua aplicação a israelenses judeus como uma de suas primeiras decisões, há quase dois anos.

No domingo (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio a Netanyahu antes das eleições, marcadas para 27 de outubro, chamando-o de “forte, corajoso e brilhante”. Durante semanas, Trump havia evitado responder a perguntas sobre uma possível reeleição de Netanyahu, inclusive poucos dias antes, quando afirmou: “Não confio em ninguém no mundo da política”.

  • Fonte: CNN Brasil
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