O mistério das 24 pernas: como o ancestral dos insetos trocou dezenas de patas por apenas seis?
Curiosidade

O mistério das 24 pernas: como o ancestral dos insetos trocou dezenas de patas por apenas seis?

  • 18/10/2026 18:11
  • Redação

Quando pensamos em um inseto, a imagem de um corpo apoiado em seis patas surge quase que automaticamente. O que a ciência acaba de comprovar, no entanto, é que esse padrão nem sempre existiu. Um fóssil de 324 milhões de anos desenterrado no Texas, nos Estados Unidos, trouxe à tona uma criatura primitiva dotada de impressionantes 24 membros.

O achado, detalhado nas páginas da revista científica Nature, recebeu o nome científico de Chosha praecursor. Com um corpo minúsculo de apenas 49 milímetros, esse organismo habitava a Terra durante o período Carbonífero e agora lança luz sobre os passos evolutivos que moldaram a anatomia dos insetos atuais.

Da caminhada ao mergulho

Analisando a estrutura do animal, os cientistas notaram algo curioso: somente seis de suas patas eram destinadas à caminhada, posicionadas no tórax exatamente como vemos hoje. O grande diferencial estava concentrado na região do abdômen, especificamente entre os segmentos 1 e 9, que abrigavam apêndices extras.

A ponta dessas formações abdominais não lembrava patas comuns, mas sim pequenos remos. Essa característica levou os autores da pesquisa a concluir que a espécie mantinha um hábito semiaquático, movimentando-se com facilidade na fronteira entre o meio aquático e o solo seco.

Uma ponte para o passado

O achado causou fascínio nos próprios pesquisadores ao demonstrar que os pioneiros dessa linhagem eram muito mais complexos do que se imaginava. O estudo combinou a análise do C. praecursor a de outros dois fósseis, identificando um agrupamento primitivo de insetos e solucionando uma peça que faltava no quebra-cabeça da evolução.

Se atualmente não existe qualquer espécie de inseto com membros na região do abdômen, o novo fóssil prova que a regra das seis patas foi uma conquista posterior. A teoria defendida pelo estudo é que esses animais descendem de antigos pancrustáceos que ostentavam apêndices ao longo de toda a extensão do corpo.

A grande virada evolutiva

A migração definitiva para fora da água exigiu transformações radicais. À medida que esses organismos se distanciavam dos ambientes úmidos, a presença de membros no abdômen tornou-se desnecessária, até que essas estruturas foram totalmente eliminadas, marco fundamental para a colonização do ambiente terrestre.

Até a escolha do nome do fóssil carrega significado histórico. A palavra Chosha foi derivada do termo ch’osh, pertencente ao idioma da etnia navajo, em referência a uma lenda tradicional em que os primeiros territórios do planeta eram povoados por antigas criaturas semelhantes a insetos.

  • Fonte: CNN Brasil
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