Trump diz que isenção de sanções à Rússia visa manter país nas negociações
- 18/10/2026 17:12
- Redação
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que a decisão de suspender sanções e tarifas relacionadas a exportações russas é um esforço para manter o país na mesa de negociações.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que não quer fazer “nada que, de forma imprudente, afaste a Rússia da mesa de negociações”.
A medida foi alvo de críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que a classificou como “equivocada” e afirmou que ela vai incentivar novas agressões russas.
“A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece equivocada”, escreveu Zelensky na rede social X. “Isso certamente ajuda apenas os russos.”
No sábado (17), um dia após o presidente americano anunciar a medida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Trump deve levar até 60 dias para avaliar o impacto econômico da medida.
A suspensão foi anunciada dias antes da lei que aplicaria as sanções entrar em vigor.,
A ordem executiva de Trump surge em um momento em que ele tem demonstrado uma postura mais favorável à Rússia e criticado publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy — chegando a sugerir que a Ucrânia precisa de um novo líder.
A legislação, cujo principal defensor no Congresso foi o falecido senador Lindsey Graham, previa a imposição de tarifas de até 100% — no prazo de 30 dias — sobre todos os produtos importados pelos EUA provenientes dos cinco maiores compradores de petróleo bruto ou gás russo.
A medida também se aplicaria a qualquer país que, 30 dias após a promulgação da lei, tivesse adquirido petróleo ou gás russo de forma deliberada, ou que estivesse entre os cinco principais países que ajudam a Rússia a burlar as sanções.
Zelensky condenou a suspensão, que ocorreu no momento em que a Rússia realizava o que ele disse ser um dos maiores ataques à energia ucraniana.
“Numa altura em que os russos levaram a cabo um ataque tão massivo ao nosso setor energético, infelizmente foi tomada uma decisão na América de ignorar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria impor uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra”, disse ele.
“Esta lei poderia ter ajudado imensamente – e ainda pode! Mas é preciso que ela realmente funcione, e cada voz em seu apoio faz diferença.”
Trump sancionou a “Lei Lindsey O. Graham de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026″ em meados de setembro.
“Submeti ao Congresso uma certificação de que a concessão de tal isenção, neste momento, atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos”, declarou Trump na ordem divulgada pela Casa Branca na sexta-feira.
Na Rússia, Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano do país, celebrou a isenção em uma publicação no X, classificando-a como “um momento importante e verdadeiramente histórico”, e acrescentou que “a cooperação econômica entre a Rússia e os Estados Unidos atende aos interesses de ambas as nações”.
Legisladores dos EUA, no entanto, condenaram a dispensa. A senadora democrata Elizabeth Warren classificou a medida como um “fracasso de liderança abjeto e previsível”, citando o “forte apoio bipartidário” à Ucrânia.
O deputado republicano Don Bacon afirmou que Trump “está prolongando a guerra, não encerrando-a”.
Em uma publicação no X, Don Beyer, que representa a Virgínia na Câmara dos Representantes, afirmou: “A mais recente rendição de Trump a Putin trai, mais uma vez, nossos parceiros ucranianos e desafia a clara intenção do Congresso, expressa em uma legislação concebida para punir a Rússia por sua guerra de agressão ilegal”.