Zelensky critica suspensão de sanções à Rússia por Trump: “equivocada”
Internacional

Zelensky critica suspensão de sanções à Rússia por Trump: “equivocada”

  • 17/10/2026 15:38
  • Redação

A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de conceder uma isenção de sanções e tarifas contra a Rússia poucos dias antes da entrada em vigor levará “infelizmente” a um alívio adicional para Moscou e incentivará novas agressões russas, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, neste sábado (17).

“A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece equivocada”, escreveu Zelensky na rede social X. “Isso certamente ajuda apenas os russos.”

Um decreto assinado por Trump na noite de sexta-feira (16) concedeu uma isenção a importantes sanções e tarifas dos EUA relacionadas à Rússia, incluindo tarifas sobre produtos russos e penalidades para a compra de petróleo e gás do país, que estavam programadas para entrar em vigor na próxima semana sob a legislação conhecida como Lei Graham, sancionada por ele no mês passado.

Trump afirmou que a isenção atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos.

A lei tinha como objetivo aumentar a pressão sobre a Rússia por causa da invasão da Ucrânia, que começou em 2022.

Trump, no entanto, vem se mostrando mais favorável a Moscou, ao mesmo tempo em que critica publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegando a sugerir que Kiev precisa de um novo líder.

Zelensky afirmou que a mais recente medida de Trump fortalece a posição do presidente russo, Vladimir Putin, e incentiva novos ataques da Rússia.

“Isso apenas alimenta sua satisfação e seu desejo de continuar matando pessoas”, escreveu Zelensky, acrescentando que a Rússia atingiu na sexta-feira mais de 15 instalações ucranianas de geração e transmissão de energia.

“Isso certamente não põe fim à guerra”, acrescentou.

O líder ucraniano também acusou a Rússia de planejar intensificar os ataques no oeste da Ucrânia.

“A Rússia está se preparando para isso? Eu acredito que sim”, escreveu Zelensky.

Kirill Dmitriev, enviado russo para investimentos, afirmou na sexta-feira que a isenção concedida por Trump representa “um momento verdadeiramente histórico”.

Em publicação no X, ele disse que, caso as penalidades tivessem entrado em vigor, poderiam ter interrompido de forma efetiva toda a cooperação econômica entre a Rússia e os Estados Unidos.

Semanas antes das eleições de meio de mandato nos EUA, nas quais os republicanos de Trump lutam para manter seu estreito controle sobre ambas as câmaras do Congresso, as novas medidas poderiam ter corrido o risco de elevar ainda mais os preços do petróleo, enquanto os norte-americanos enfrentam custos crescentes atribuídos em grande parte à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, segundo analistas.

A legislação, cujo principal apoiador no Congresso foi o falecido senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, teria imposto tarifas de até 100% em 30 dias sobre todas as mercadorias trazidas aos EUA dos cinco maiores importadores de petróleo bruto ou gás russo, bem como por qualquer país que, conscientemente, comprasse petróleo ou gás 30 dias após a promulgação da lei ou estivesse entre os cinco principais países que ajudassem a Rússia a contornar as sanções.

O decreto diz que a isenção permanecerá em vigor até que Trump ou seus principais assessores determinem que “outras medidas sejam apropriadas”.

Trump assinou a Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026 em meados de setembro.

“Apresentei ao Congresso uma certificação de que a emissão dessa isenção neste momento é do interesse nacional dos Estados Unidos”, afirmou Trump na ordem.

Países como a China e a Índia, que estão entre os maiores compradores de petróleo russo, manifestaram preocupações em relação ao projeto de sanções contra a Rússia.

  • Fonte: CNN Brasil
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