Incentivar população a se vacinar é um desafio no Brasil, diz especialista
- 17/10/2026 15:29
- Redação
Um dos principais desafios dos programas de vacinação no Brasil é continuar motivando as pessoas a se vacinarem quando elas não se sentem mais sob risco. A constatação foi feita pelo presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, Renato Kfouri, em entrevista ao CNN Agora, jornal da CNN Brasil, neste sábado (17), considerado o Dia Nacional de Vacinação.
É na natureza do ser humano. Infelizmente a gente busca proteção quando a gente se sente ameaçado. A gente viu isso na Covid-19 e nas campanhas de febre amarela. Quando a doença desaparece, como foi o sarampo, cria aquele ambiente de que eu adio, eu postergo, quando der eu vou tomar vacina. Infelizmente isso cria um terreno fértil para
Renato Kfouri, Presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo
propagação de doenças.
Considerada erradicada e levando o país a receber um certificado de eliminação em 2016, o sarampo voltou à assombrar a saúde pública brasileira após o retorno da circulação do vírus em 2018. O período de maior concentração foi em 2019, quando foram registrados 21.741 casos da doença.
Em 2026, o sarampo segue em alerta. Até o momento, 61 casos de foram registrados no Brasil, segundo o último informe emitido pelo Ministério da Saúde. Todos são importados, ou seja, foram adquiridos fora do país e a maioria das pessoas não estavam imunizadas.
Além disso, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a transmissão da doença em países das américas contabilizou o maior número de casos já registrados em mais de duas décadas.
Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de cinco mil pessoas morreram por sarampo. “Então a gente precisa trabalhar nesses dois aspectos, e até para isso que nós estamos aqui, o dia das imunizações se presta também a isso. Lembrar que essas doenças estão longe de serem negligenciadas, sarampo mata, nos Estados Unidos vimos isso”, conta o especialista.
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo, o diagnóstico pode evoluir para quadros mais graves e levar ao óbito. Por não possuir um tratamento específico, a imunização é uma das principais ações para conter o aumento do vírus.
Segundo o Kfouri, as vacinas são vítimas de “si próprias” e fazem “tanto sucesso” que acabam deixando as pessoas pouco preocupadas com a doença, fazendo um comparativo com medicamentos.
“As pessoas começam a tomar remédio, a fazer um tratamento. Aí meses depois estão ótimas, aí dizem: ‘não preciso mais, porque eu já estou ótima’. Quando na verdade você está com a manutenção por causa do tratamento. Enfim, reflexões sobre essa cobertura vacinal e essa sensação de que a doença está distante, mas aí vem esses casos para lembrar pra gente que não”, ressalta o especialista.
Os imunizantes apresentam ao organismo versões enfraquecidas dos agentes causadores de doenças para estimular uma resposta imunológica. Dessa forma, o corpo já está preparado quando entra em contato com o microrganismo de verdade. Por este motivo, a vacinação é importante.
Na última semana, a Organização Mundial da Saúde determinou que os países reforçassem sobre a importância do imunizante, visto o grande aumento de circulação da doença na região das Américas. No Brasil, a vacina é gratuita e pode ser adquirida pelo SUS (Sistema Único de Saúde).