Fungo gigante de 2,2 kg que pode ter surgido logo após extinção dos dinossauros é descoberto na China
- 17/10/2026 14:28
- Redação
Uma espécie de fungo gigante descoberta na província de Yunnan, no sudoeste da China, pode ter surgido há cerca de 65 milhões de anos, pouco depois da extinção em massa que eliminou os dinossauros não avianos. A espécie, batizada de Dianjunus rex, produz estruturas reprodutivas que chegam a 50 centímetros de altura e podem pesar até 2,2 quilos.
O fungo foi descrito em um estudo publicado na revista científica Frontiers in Fungal Biology. A pesquisa identificou não apenas uma nova espécie, mas também um novo gênero e uma nova família de fungos, denominada Dianjunaceae.
Para identificar o organismo, os pesquisadores combinaram análises de características morfológicas, sequenciamento de diferentes regiões do DNA e estudos genômicos. Os resultados indicaram que a família Dianjunaceae constitui uma linhagem distinta, próxima à família Graphostromataceae.
A análise do tempo de divergência evolutiva estimou que a família Dianjunaceae surgiu há aproximadamente 65 milhões de anos, no início do Paleoceno. O período coincide com a fase posterior à extinção do Cretáceo-Paleógeno, evento associado ao desaparecimento de cerca de 75% das espécies de plantas e animais da Terra.
Segundo os pesquisadores, a coincidência temporal levanta a possibilidade de que as transformações ambientais provocadas pela extinção tenham favorecido o desenvolvimento de novas linhagens de fungos.
Após o evento, as florestas passaram por mudanças significativas, incluindo o aumento da disponibilidade de matéria vegetal morta. Esse cenário pode ter criado novas oportunidades ecológicas para fungos associados à decomposição da madeira.
Os autores, no entanto, apontam essa relação como uma possibilidade evolutiva, e não como uma causa comprovada para o surgimento da família.
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O Dianjunus rex se destaca pelo tamanho de suas estruturas reprodutivas, chamadas estromas. Elas podem alcançar 50 centímetros de altura e pesar até 2,2 quilos, dimensões que representam o maior registro de estruturas reprodutivas entre os fungos do filo Ascomycota.
A espécie foi encontrada associada a raízes e tocos em decomposição de árvores, especialmente carvalhos, nas florestas da província chinesa de Yunnan, ao sudoeste do país.
Os estromas são responsáveis pela produção e dispersão de esporos, estruturas que permitem a reprodução dos fungos. Os pesquisadores levantam a hipótese de que o tamanho avantajado possa facilitar a dispersão dos esporos pelo vento em florestas densas, embora a função dessa característica ainda não esteja confirmada.
A descoberta também evidencia a diversidade de fungos ainda pouco conhecida nas florestas do leste asiático e amplia o conhecimento sobre a evolução de estruturas reprodutivas gigantes nesse grupo de organismos.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas