Queda do minério de ferro deve pressionar mineradoras, diz colunista
- 17/10/2026 12:00
- Redação
O minério de ferro enfrenta um momento de forte pressão, com os preços da commodity em trajetória de queda nos últimos dias. O contrato mais negociado para janeiro na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian), na China, fechou o pregão em queda de 1,1%, a US$ 101,11 por tonelada, operando abaixo da marca dos 100 dólares em determinados momentos.
Ao mesmo tempo, o custo do frete marítimo para a China tem superado os 40 dólares, agravando ainda mais o cenário para as mineradoras brasileiras. Gustavo Roque, colunista do CNN Infra, avaliou que a situação, embora desafiadora, tem caráter cíclico.
“Para quem está acostumado com mineração e, sobretudo, com mineração de ferro, sabe que esses ciclos ocorrem há bastante tempo”, afirmou.
Gustavo Roque destacou que as grandes mineradoras tendem a ser menos vulneráveis à pressão atual, pois muitas dispõem de portos e ferrovias próprios ou operam com contratos de longo prazo a custos reduzidos. O cenário mais crítico recai sobre as empresas de médio e pequeno porte, que precisam contratar serviços logísticos no mercado aberto, em concorrência com outras commodities.
“O desafio talvez esteja mais dentro de casa, daquilo que as mineradoras conseguem gerenciar”, disse, referindo-se ao custo de produção, ao transporte interno e ao beneficiamento do minério.
Algumas empresas já estariam tomando medidas para mitigar os impactos. Gustavo Roque citou movimentos de criação de terminais logísticos como estratégia para reduzir custos de frete ainda no território nacional, antes do embarque nos portos.
“Vai ser um momento difícil, mas algumas mineradoras já estão se ajustando e outras talvez precisem se ajustar”, pontuou.
A redução das operações mineradoras pode gerar um efeito cascata significativo ao longo de toda a cadeia produtiva. Segundo Gustavo Roque, a queda no volume de produção implica redução no transporte, nos serviços diretamente conectados e no recolhimento da CFEM — os royalties pagos a municípios, estados e à União.
“Você vê que tem um efeito cascata muito grande”, alertou.
Municípios altamente dependentes da mineração de médio e pequeno porte são os mais vulneráveis. Em alguns casos, os royalties gerados por uma única mineradora podem responder por 50%, 60% ou mais da receita municipal.
Roque defendeu a necessidade de diversificação econômica nessas localidades, com investimentos em turismo, agronegócio e serviços, de forma a reduzir a dependência de um único recurso mineral.
Questionado sobre eventuais reflexos da crise do minério de ferro sobre os investimentos em minerais críticos no Brasil, Gustavo Roque foi categórico ao separar os dois mercados.
“São dois mercados diferentes. A demanda por minerais críticos segue forte, sobretudo por cobre”, afirmou. Ele ressaltou que países produtores como o Chile enfrentam dificuldades para manter a oferta, criando uma lacuna de mercado que favorece novos investimentos.
Para o minério de ferro, o colunista avaliou que pode haver uma desaceleração pontual, mas que mineradoras mais robustas e com capacidade de investimento tendem a aproveitar o momento para se preparar para o próximo ciclo de alta.
As empresas menores, no entanto, continuarão mais expostas, dependendo de serviços logísticos de terceiros e com menor margem de manobra diante da volatilidade dos preços.
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