Aos 62 anos, surfista conquista ouro e planeja disputar novas competições
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Aos 62 anos, surfista conquista ouro e planeja disputar novas competições

  • 17/10/2026 02:00
  • Redação

Aos 62 anos, Angela Bauer subiu ao lugar mais alto do pódio no último fim de semana. A surfista conquistou a medalha de ouro no longboard feminino 60+ do CBEM Master Games Brasil, no Rio de Janeiro, e agora planeja ampliar sua participação em competições.

A conquista veio após uma preparação que combinou treinos no mar, condicionamento físico, alimentação equilibrada e exercícios para estimular a memória e o raciocínio. “Foi o resultado de muito treino físico e cognitivo, uma boa alimentação e muita fé e confiança em Deus”, afirma.

A vitória, porém, não foi tranquila até o fim. Angela liderava a bateria quando uma onda deu à adversária a chance de virar o resultado. A concorrente conseguiu entrar na onda, mas caiu. Só então a campeã conseguiu respirar aliviada.

Para chegar ao ouro, a atleta precisou retomar os treinos de longboard, modalidade que estava sem praticar havia algum tempo. A preparação também incluiu uma novidade: há cerca de três meses, ela começou a fazer exercícios cognitivos no Supera Recreio, um de seus apoiadores.

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Memória e raciocínio também fazem parte do treino

Angela procurou as atividades depois de perceber algumas falhas de memória. Com o tempo, notou benefícios que foram além do esperado e incorporou os exercícios à rotina de preparação para o esporte.

“Os exercícios estimulam a rapidez de pensamento, raciocínio e a criatividade”, relata.

No surfe, essas habilidades podem fazer diferença. A leitura do mar exige atenção às condições das ondas e decisões rápidas sobre o momento de entrar na água e as manobras mais adequadas para cada situação.

“Tudo isso exige uma rapidez de raciocínio e decisão”, explica Angela, que associa os exercícios cognitivos à agilidade necessária para lidar com as mudanças do mar.

“Em pouco tempo percebi que meu raciocínio ficou mais rápido”, conta.

A atleta também ressalta que competir exige conhecer os próprios limites. A escolha das condições do mar, segundo ela, deve levar em conta o preparo físico e a capacidade de executar as manobras com segurança.

Uma relação com o mar que começou na infância

A história de Angela com as ondas começou aos 10 anos, quando surfava de peito na praia do Leme, no Rio de Janeiro. Depois de passar um período em Teresópolis, voltou à capital fluminense aos 20 anos e conheceu o bodyboard. Aos 34, começou a praticar longboard.

Desde então, construiu uma trajetória que inclui outro marco: ela é reconhecida pela Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro como a primeira campeã brasileira de longboard. Agora, o título na categoria 60+ do CBEM Master Games Brasil abre caminho para uma nova etapa.

“Esta medalha representa o início de uma nova vida de competições”, afirma.

A dedicação ao esporte também trouxe mudanças na rotina profissional. Angela deixou de dar aulas de surfe para ter mais tempo para treinar. Sem patrocínio financeiro, passou a enfrentar os custos da preparação e os impactos da decisão sobre sua renda.

Desafios para competir e incentivar outras mulheres

A busca por patrocinadores é uma das principais dificuldades relatadas pela surfista. “Enfrento preconceitos principalmente na hora de captar patrocinadores”, diz.

Com o ouro, Angela espera conseguir apoio para disputar o Circuito Master, que conta com etapas em diferentes regiões do Brasil. O objetivo é viabilizar a participação nas provas e continuar competindo em alto nível.

Ela também quer usar a própria trajetória para mostrar que a idade não precisa ser um obstáculo para quem deseja começar ou continuar no surfe. A intenção é incentivar principalmente mulheres com mais de 50 anos a entrar no mar e experimentar o ambiente das competições.

“Muita gente tem sonho de surfar e se acha velho para continuar”, afirma.

Fora dos resultados, Angela encontra no esporte uma fonte de bem-estar e renovação. Para ela, o surfe representa mais do que medalhas: é uma forma de manter o corpo ativo, fortalecer a confiança e cultivar sua conexão com o mar.

“Poder surfar significa que estou viva de verdade.”

 

  • Fonte: CNN Brasil
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