Superfã do A380 reproduz em apartamento famosa suíte do avião, com peças reais de aeronaves garimpadas ao longo dos anos
- 16/10/2026 14:15
- Redação
Arun Rajagopal, superfã do A380 – o maior avião de passageiros do mundo -, transformou seu apartamento em Dubai com peças da The Residence — a famosa e extravagante suíte privativa de três cômodos do Airbus da Etihad Airways.
Desde que a aeronave entrou em serviço pela primeira vez, no final de 2007, o entusiasta voou a bordo do modelo 220 vezes – 45 delas em voos inaugurais – percorrendo aproximadamente 715 mil milhas em seis continentes. Para se ter uma ideia, foram aproximadamente 60 dias de sua vida em um desses jumbos de dois andares.
A paixão é tamanha que tanto seu apartamento em Dubai quanto e de Kochi, na Índia, foi decorado com memorabilia cuidadosamente selecionada do A380 e peças de aeronaves recuperadas. “Quando gosto de algo, me aprofundo bastante”, diz Rajagopal à CNN Travel, em uma videochamada. “Esta é provavelmente minha maior paixão na vida. Ela me trouxe muita paz e alegria.”
Hoje, o apartamento de um quarto de Rajagopal em Dubai parece uma visita a um museu privado de aviação. Entre seus muitos tesouros estão dois assentos de primeira classe do primeiro A380 da Emirates, um freio de estacionamento, antenas, cintos de segurança e certificados de voo inaugural. Uma roda do A380 foi transformada em mesa de centro, enquanto luminárias da cabine de primeira classe ficam nas proximidades.
Sua atenção aos detalhes vai muito além das peças de aeronaves: Rajagopal gostou tanto das taças de champanhe servidas a bordo da Emirates que rastreou o fabricante eslovaco, a Rona, e encomendou um conjunto. Mas não veio o que ele queria. “Comecei a pesquisar na internet e a encomendar taças que achava que se pareciam com a taça da Emirates, e todas chegavam à minha casa, mas não eram iguais. Então fiquei com uma enorme coleção inútil de taças de champanhe.” Um amigo conseguiu para ele o item original.
Um rebite de cinco centímetros recuperado durante o desmonte de um A380 da Emirates é seu xodó. “Para mim, esta é a coisa mais valiosa que possuo”, diz ele. Mas há limites: ele recusou uma ponta de asa de A380, pás de motor e um estabilizador vertical porque não correspondiam aos seus critérios.
A decisão de reproduzir em casa a The Residence da Etihad foi por considerar a suíte de três cômodos “o ápice do luxo na aviação comercial”. Rajagopal fica encantado com o sofá de couro personalizado da Poltrona Frau na sala de estar – que viu pela primeira vez desmontada na oficina da empresa de upcycling aeronáutico dos Emirados Árabes Unidos, Wings Craft.
O fundador, Fawaz Mohammed Ali, gostou do encontro. “Ele disse: ‘É melhor levar a coisa toda. Vamos deixá-la com uma aparência realmente boa para você”. O projeto de restauração e personalização durou quase um ano, pois a Wings Craft a havia adquirido em “condição extremamente danificada e inutilizável”, recorda.
Várias peças originais de aeronaves A380 decoram o espaço • Cortesia/Arun RajagopalPara levar tudo para dentro do apartamento, seis trabalhadores carregaram as peças pesadas escada acima. Concluída em junho deste ano, a Residência de Rajagopal recria algumas de suas experiências de aviação favoritas nos mínimos detalhes: uma orquídea faz referência à primeira classe da Emirates, enquanto a porcelana Bernardaud e os talheres Studio William evocam o serviço de bordo da Etihad.
Há cobertores de companhias aéreas, roupas de descanso e chinelos Giorgio Armani, kits de amenidades da Etihad e xícaras Finjan colecionadas em voos de primeira classe. Ele ainda mantém à mão seu champanhe favorito, Dom Pérignon, ao lado do Cipriani Bellini — um coquetel pronto para beber de pêssego e Prosecco — e uma seleção rotativa de petiscos.
A suíte é totalmente funcional, com uma TV personalizada de 32 polegadas, persianas motorizadas, portas USB de carregamento, iluminação e portas deslizantes de privacidade. “É uma sensação surreal”, diz ele, sem revelar quanto gastou. “Posso assistir TV, posso tirar uma soneca, posso jantar, posso tomar uma bebida, posso receber convidados. Também trabalho [lá] como espaço de escritório.”
A admiração de Rajagopal pelos meios de transporte começou na infância, muito antes de o A380 sequer entrar em cena. Nascido em Kochi, uma cidade portuária no sul da Índia, ele cresceu fascinado por trens, ônibus e navios cargueiros.
“Acho que todo mundo passa por essa fase na vida em que, até os oito ou nove anos de idade, você gosta de todos os meios de transporte, e então quer ser motorista de ônibus, condutor de trem ou piloto”, diz. “E então você vai superando essas coisas. Mas eu nunca superei nada disso.”
A mãe incentivou essa curiosidade, enviando-o regularmente em viagens de trem de vários dias por toda a Índia acompanhado de parentes mais velhos. Ele também se lembra de viagens de avião no início da vida — em sua maioria domésticas — antes de sua família se mudar para Omã, quando tinha nove anos.
Rajagopal parou de viajar por 13 anos, quando enfrentaram dificuldades financeiras. Em vez disso, visitava agências de viagens, devorando folhetos e revistas, estudando tabelas de horários de companhias aéreas e sonhando com os destinos para onde voaria no futuro.
Apartamento de Arun Rajagopal é único no mundo • Cortesia/Arun RajagopalCom o tempo, ele iniciou uma carreira como redator publicitário e digital e voltou a voar, aos poucos. No início de sua carreira, Rajagopal trabalhou na Wunderman, uma agência digital internacional, onde diz que seus projetos incluíram o rebranding da Oman Air em 2008 e, posteriormente, ajudar a lançar a presença da companhia aérea nas redes sociais.
Na época, ele voava na classe econômica, mas não se importava. Amava os aeroportos, os sons dos motores, as diferentes aeronaves e as possibilidades abertas pelas conexões em cidades como Londres e Bangkok. “Se eu tivesse que ir do ponto A ao ponto B em linha reta, eu sempre pensaria em ir assim”, afirma, fazendo um movimento em zigue-zague com a mão.
O ponto de virada que despertou a paixão veio no quarto voo, para Singapura. “Foi a primeira vez que voei na classe executiva em um A380. Foi uma grande mudança. Os assentos eram enormes e há um bar na parte de trás do avião. Mesmo naquela época, o assento era muito privativo”. Foi como “experimentar conforto em outro nível”.
Em 2012, Rajagopal começou a trabalhar na Emirates, passando mais de oito anos atuando em mídia social — uma função que o aproximou de forma incomum da aeronave principal da companhia durante entregas, voos inaugurais e salões aeronáuticos. Um dos marcos mais memoráveis do A380 para ele veio em 2021, quando estava determinado a testemunhar a entrega do último A380 já construído.
A data ficou mudando e acabou coincidindo com o casamento de seu irmão em Bengaluru. Compreendendo a paixão de Rajagopal pelos A380s, seu irmão e a futura cunhada concordaram em mudar a data do casamento, para que Rajagopal pudesse participar da cerimônia antes de chegar a Hamburgo, bem a tempo do voo de entrega.
Rajagopal deixou o setor de aviação em 2020 para um cargo de comunicação na Oracle, a empresa de tecnologia. Uma vez que a aviação deixou de fazer parte do seu cotidiano, sua mentalidade de colecionador realmente decolou, diz ele.
Todo ano, estabelece um novo desafio de aviação para seu aniversário, em junho. Este ano, por exemplo, voou para seu 100º país — Mônaco.
“Para mim, o A380 se tornou um símbolo de ambição, do poder dos sonhos. E por causa disso, minha jornada até aqui parece mais significativa do que o destino em si. “Se tenho um voo amanhã, encaro como se fosse meu primeiro voo. Meu entusiasmo é o mesmo”.