Maria Isabel e suco de caju: garçom revela o que papa João Paulo II comeu durante visita a Cuiabá há 35 anos
- 16/10/2026 06:27
- Redação
Aos 29 anos, Raimundo recebe a mão do papa João Paulo II durante visita a Cuiabá em 1991.
Reprodução Mujica de pintado, Maria Isabel, farofa de banana, salada, peixe grelhado e suco de caju.
Esse foi o almoço servido ao papa João Paulo II durante a visita a Cuiabá, em 1991.
Entre os garçons responsáveis por atender o pontífice e a comitiva estava Raimundo Moreira do Nascimento Filho, que até hoje guarda uma lembrança especial daquele dia: uma fotografia recebida diretamente do Vaticano, em que aparece ao lado do papa (veja imagem acima).
Trinta e cinco anos depois, Raimundo ainda se recorda dos detalhes do encontro, desde o movimento de pessoas na rua até as palavras que ouviu enquanto servia o almoço.
Na época, ele trabalhava em um hotel, no centro da capital, e não imaginava que teria a oportunidade de ficar tão perto de uma das figuras mais conhecidas do mundo. 16 de outubro de 1991 A visita de João Paulo II a Cuiabá movimentou a capital mato-grossense em 1991.
Segundo Raimundo, que tinha 29 anos na época, o papa chegou pela manhã, saiu do aeroporto e seguiu para cumprir compromissos, entre eles a celebração de uma missa.
Mais tarde, entre 13h e 14h, retornou ao centro da cidade para almoçar na residência do arcebispo, em frente à Santa Casa de Misericórdia.
A movimentação na região era intensa.
Raimundo lembra que uma multidão se reuniu nas proximidades para ver o pontífice.
Do local onde trabalhava, ele conseguia observar as pessoas pelas janelas voltadas para a rua. “Foi bastante movimentado esse dia”, recorda.
O almoço foi organizado pela proprietária da rede de hotéis em que Raimundo trabalhava, responsável pelo buffet e pela equipe de garçons.
O cardápio reuniu pratos da culinária regional, como mujica de pintado, Maria Isabel e farofa de banana, além de salada e peixe grelhado.
Entre as bebidas, o suco de caju chamou a atenção do papa.
Segundo Raimundo, João Paulo II perguntou qual era o sabor, experimentou e gostou tanto que repetiu.
Ele também tomou suco de acerola e bebeu uma taça de vinho. "Ele perguntou do que era o suco, e eu respondi que era suco de caju.
Ele experimentou, gostou e repetiu", contou Raimundo.
Quatro garçons se revezaram no atendimento à mesa, que tinha formato de U.
Enquanto um servia a salada, outro cuidava do arroz e os demais levavam os outros pratos.
Raimundo ficou responsável por servir o papa e os integrantes da comitiva.
Além do pontífice, havia religiosos de diferentes países, incluindo padres da Alemanha e da África.
A equipe precisava atender a todos os convidados enquanto o movimento de pessoas do lado de fora continuava.
Depois do almoço, João Paulo II conversou com pessoas que estavam no local, acenou para o público e foi descansar.
Foi nesse momento que Raimundo teve outra oportunidade de se aproximar dele.
Palavras de sabedoria O g1 relembra a vez que a TVCA cobriu a vinda do papa João Paulo II à Cuiabá, em 1991 Durante o serviço, Raimundo percebeu que o papa era educado e fazia questão de agradecer aos garçons.
Segundo ele, a comunicação não foi um problema, porque João Paulo II falava português muito bem.
O garçom se recorda que o papa era muito educado e agradecia a todos constantemente.
Mas uma frase ficou guardada de forma especial na memória do garçom.
Ao conversar com o papa, Raimundo ouviu dele uma mensagem de bênção. “Deus te abençoe, meu filho.
Siga sua vida”, lembra.
Católico, Raimundo considera o encontro uma honra.
Para ele, a oportunidade de estar diante do pontífice e receber sua bênção foi uma experiência que poucas pessoas têm.
A lembrança também ganhou um registro concreto: uma fotografia feita por um integrante da equipe que acompanhava João Paulo II.
A imagem foi enviada posteriormente pelo Vaticano à organização responsável pelo almoço e entregue aos garçons que atenderam o papa.
Raimundo também recebeu lembranças religiosas, como um terço.
A fotografia, no entanto, continua entre as recordações mais importantes daquele dia. “Representa tudo.
É uma honra, uma excelente lembrança”, diz.
Sorte ou benção?
Natural do Maranhão, Raimundo havia chegado a Mato Grosso em 1980 e trabalhava como garçom desde os 18 anos.
Naquele momento, ele já acumulava cerca de uma década de experiência na profissão, mas nunca imaginou que serviria o papa.
Ainda assim, a sorte escolheu Raimundo.
Ele conta que a oportunidade de atender João Paulo II não veio de uma escolha direta dos superiores, mas de um sorteio.
De acordo com Raimundo, a proprietária do hotel reuniu os funcionários e explicou que alguns deles seriam selecionados para servir o pontífice e sua comitiva.
Como havia vários garçons interessados, a decisão foi tomada por sorteio, para evitar que alguém se sentisse preterido.
Raimundo foi um dos escolhidos.
Outro funcionário, chamado Ronaldo, também participou do atendimento.
Garçons de outros estabelecimentos e um profissional responsável por orientar a equipe completaram o grupo. “Era vários garçons.
Se ela escolhesse um, o outro ia ficar magoado.
Aí resolveu fazer o sorteio”, explicou.
Na época, ele não imaginava que seria escolhido para uma ocasião tão marcante.
O anúncio surpreendeu os funcionários, que queriam participar da recepção ao papa.
Anos depois, Raimundo ainda vê a experiência como um privilégio.
Além de ter sido selecionado para o serviço, pôde conversar pessoalmente com João Paulo II e guardar uma fotografia do encontro.
Para ele, a lembrança reúne as duas coisas: a sorte de ter sido escolhido e a bênção de ter estado perto do pontífice.
Garçom das estrelas O encontro com João Paulo II é um dos episódios mais marcantes da trajetória de Raimundo, mas não foi o único atendimento a uma personalidade conhecida.
Com 46 anos de profissão, ele continua trabalhando como garçom e, ao longo de mais de quatro décadas, também serviu artistas e participou de eventos com nomes famosos.
Entre as pessoas que já atendeu estão Chico Anysio, Alceu Valença e o músico Paulo Ricardo.
Raimundo também se lembra de ter trabalhado em festas e de ter tido contato com artistas nos bastidores.
A experiência acumulada ao longo dos anos fez com que ele atendesse diferentes públicos, de convidados de eventos a figuras conhecidas nacionalmente.
Ainda assim, servir o papa ocupa um lugar especial na história profissional. 35 anos depois Aos 46 anos de carreira, Raimundo continua trabalhando em festas e outros eventos.
Reprodução Às vésperas das celebrações pelos 35 anos da visita de João Paulo II a Cuiabá, Raimundo tem mais uma oportunidade de reviver a história.
Uma escultura em tamanho real do pontífice será inaugurada nesta sexta-feira (16), no Sesi Papa, na região da Cruz do Papa, onde João Paulo II celebrou uma missa durante a passagem pela capital.
A programação, começa às 19h com uma missa, seguida da inauguração da escultura, às 20h, e de um show da cantora católica Celina Borges, às 21h.
A entrada é gratuita.
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