Votos de legenda somam 4,73% dos válidos em 2026, menor da série desde 1998
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Votos de legenda somam 4,73% dos válidos em 2026, menor da série desde 1998

  • 15/10/2026 22:48
  • Redação

Os votos de legenda no primeiro turno das eleições 2026 somaram um total de 10.702.467 nas eleições de 2026, o menor número da série histórica iniciada em 1998. A escolha direta pelos partidos representou 4,73% dos 226.417.160 votos válidos para deputado federal, estadual e distrital, também a menor proporção das oito eleições analisadas. A soma realizada com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reúne votos para os diferentes cargos, não o número de eleitores.

Em relação a 2022, o total caiu quase 10%, embora a quantidade de votos válidos tenha aumentado. Na comparação com 1998, quando a modalidade representava 14,44% dos válidos, a redução no número de votos foi de 45,2%.

O voto de legenda é registrado quando o eleitor digita apenas os dois números do partido e confirma, sem escolher um candidato. É um voto válido que, somado aos votos nominais, ajuda a definir quantas cadeiras o partido ou a federação conquistará. Já o voto em um candidato contribui tanto para sua classificação quanto para o desempenho coletivo.

Em 1998, foram 19.544.203 votos de legenda (14,44% dos válidos). O total subiu para 20.209.962 (11,55%) em 2002 e 21.258.972 (11,33%) em 2006. Em 2010 foram 20.407.894 votos (10,33%) e 18.501.282 (9,42%) em 2014. Em 2018, o número recuou para 15.530.355 (7,90%), seguido por 11.887.865 (5,46%) em 2022, até chegar aos 10.702.467 (4,73%) de 2026.

Redes sociais podem ter interferido no pleito

Para Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, organização apartidária que avalia deputados federais e senadores, os números refletem uma política mais personalizada. Ele associa o movimento à fragilidade da identificação partidária e às redes sociais, que permitem às lideranças construir vínculos diretos com o eleitorado.

“O que está enfraquecendo não é necessariamente o partido como instrumento de poder, mas o partido como referência de identidade para o eleitor. E essa diferença é fundamental para compreender o que está acontecendo”, aponta. Arruda cita Erika Hilton (Psol) e Nikolas Ferreira (PL) para mostrar que o fenômeno atravessa campos ideológicos diferentes.

“É positivo quando o eleitor acompanha o trabalho do parlamentar, conhece suas posições e toma uma decisão consciente”, diz. Mas faz uma ressalva: “Ter milhões de seguidores ou receber uma votação extraordinária não significa, necessariamente, exercer um bom mandato”.

Ele ressalta também que candidatos mais votados podem ajudar a eleger outros nomes da mesma sigla ou federação. A escolha pessoal, portanto, produz efeitos coletivos que nem sempre são compreendidos pelo eleitor.

“O brasileiro está votando cada vez mais em pessoas, mas continua elegendo parlamentares por meio de um sistema que depende dos partidos.”

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Falta de conhecimento e mudanças também afetam

Sergio Simoni Junior, professor de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo), porém, afirma que os resultados, isoladamente, não permitem medir a identificação partidária nem conhecer os motivos do eleito. Ele cita estudos com indícios de que parte dos votos de legenda decorre de confusão, já que o eleitor digita dois números para presidente ou governador na etapa de deputado. Uma hipótese é que a familiaridade com a urna tenha reduzido esses erros.

“Isso significa que a gente não pode interpretar a totalidade, ou mesmo uma parte considerável dos votos de legenda, como sendo expressão de um partidarismo, de uma afinidade partidária, em comparação com uma afinidade por pessoas”, afirma Simoni Junior.

As regras de votação mínima individual, aplicadas desde 2016, também podem incentivar campanhas por candidatos, em vez da legenda, avalia Simoni. Na distribuição inicial das cadeiras, o candidato precisa de ao menos 10% do quociente eleitoral, calculado dividindo os votos válidos pelas vagas em disputa.

“Essas mudanças na legislação, nas regras eleitorais, tornaram essa estratégia [de voto em apenas um candidato ou legenda] um pouco mais perigosa. Então, isso pode estar explicando o maior número de votos individuais e o menor número de votos de legenda”, explica.

Simoni admite o efeito das redes sociais e das grandes votações, mas considera a explicação parcial. Também evita um diagnóstico positivo ou negativo e diz que a democracia precisa de partidos estruturados, e as siglas dependem de pessoas. “É difícil a gente pensar em um partido realmente competitivo e apartado das suas figuras individuais.”

 

  • Fonte: CNN Brasil
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