Dois navios de carga afundam perto de Ormuz e evidenciam riscos à navegação
- 15/10/2026 13:01
- Redação
Dois navios de carga afundaram perto do Estreito de Ormuz nos últimos dias, após serem atingidos por projéteis de origem desconhecida em casos separados.
Isso evidencia o aumento do perigo para a navegação, em um momento em que o Irã intensifica ataques na tentativa de retomar o controle sobre essa via navegável estratégica.
O navio porta-contêineres GFS Pride, registrado em Singapura, foi atingido na terça-feira (13) enquanto atravessava o estreito. Um incêndio teve início na embarcação, que afundou posteriormente, segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura. Toda a tripulação foi resgatada em segurança.
Vídeos verificados pela CNN mostram fumaça saindo da embarcação enquanto ela começa a ser inundada. Imagens posteriores e registros de satélite mostram carga espalhada pela água e uma pequena mancha de óleo.
A emissora estatal iraniana Press TV informou que o navio teria “atingido uma mina naval em uma rota não autorizada” — uma versão contestada por especialistas, que consideram mais provável a ocorrência de um ataque por drone.
O navio mercante Cape Dao, registrado em Antígua e Barbuda, também afundou, segundo dados da Organização Marítima Internacional divulgados na quarta-feira (14), após ter sido atingido por um projétil no dia 23 de setembro. Um tripulante indiano morreu.
Embora muitas embarcações tenham sido atingidas no Estreito de Ormuz este ano, estes são apenas o segundo e o terceiro casos de naufrágio no Oriente Médio desde o início do conflito envolvendo o Irã, em fevereiro, segundo dados da OMI (Organização Marítima Internacional).
Os ataques intensificaram-se significativamente desde o final de setembro, reduzindo, mais uma vez, o volume de petróleo que sai do Oriente Médio e elevando os preços da commodity ao redor do mundo.
Essa situação tem sido uma dor de cabeça constante para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato.
Neste período, questões como o preço dos combustíveis, tarifas e outros fatores que elevam o custo de vida tornam-se preocupações centrais para muitos eleitores.
Dados da United Kingdom Maritime Trade Operations, que monitora casos envolvendo embarcações, revelam a dimensão do risco.
Desde segunda-feira (12), foram registrados nove ataques no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, incluindo uma investida de drone contra um navio-tanque.
Apenas 4 milhões de barris de petróleo transitaram com sucesso pelo Estreito de Ormuz na segunda-feira – menos de um quarto dos níveis registrados antes da guerra, segundo a Kpler, serviço de monitoramento de dados marítimos.
Além disso, a média de sete dias do fluxo de petróleo por Ormuz caiu drasticamente desde o início de outubro, mostram os dados da Kpler.
“O naufrágio do GFS PRIDE, embarcação que ostenta a bandeira de Singapura, marca uma escalada perigosa após semanas de ataques quase diários ao transporte marítimo comercial. O Irã alega o uso de uma mina naval, mas um ataque por meio de drone é mais provável”, afirmou Charlie Brown, ex-oficial da Marinha dos EUA e consultor sênior da United Against Nuclear Iran, uma organização sem fins lucrativos que monitora e denuncia violações de sanções por parte do Irã.
“Muitos se perguntam qual será a resposta da Marinha dos EUA diante da escalada de ataques do Irã ao transporte marítimo global”, acrescentou ele.
“Mas a verdadeira questão é: que resposta outras nações darão? Por quanto tempo o mundo tolerará essa ameaça ao transporte marítimo, aos marítimos e à liberdade de navegação?”, adicionou.
As Forças Armadas dos EUA continuam impondo um bloqueio aos portos iranianos, a fim de manter a pressão econômica sobre o Irã.
Até certo ponto, a estratégia tem funcionado: a economia iraniana encontra-se em sérias dificuldades e, nos últimos meses, o país perdeu claramente seu poder de influência sobre o estreito, uma vez que o volume de petróleo proveniente de outras nações do Golfo que atravessa essa via marítima aumentou, aproximando-se de níveis normais.
Isso se deve, em parte, a uma operação complexa que envolve a passagem noturna de embarcações pelo estreito — os chamados trânsitos “às escuras” — sob escolta militar dos EUA, durante os quais os navios-tanque mantêm seus transponders desligados para evitar a detecção.
Esse aumento no fluxo de petróleo é o motivo pelo qual o Irã está intensificando seus ataques e ameaças, na esperança de recuperar a influência que outrora exercia sobre o estreito — especialmente neste momento em que os eleitores americanos se dirigem às urnas.
A administração Trump tentou reduzir os preços por outros meios, incluindo um acordo controverso — anunciado na semana passada — para suspender certas sanções contra a Rússia, permitindo a importação de uma quantidade relativamente pequena de diesel desse país.
A medida, no entanto, foi alvo de críticas tanto do Partido Democrata quanto do Partido Republicano; além disso, não há garantia de que ela trará um alívio significativo, com analistas alertando que o preço do diesel pode se aproximar de patamares recordes até novembro.
*Mohammed Tawfeeq, da CNN, contribuiu para esta reportagem