“Não conseguia respirar”, diz mulher que acusa Russell Brand de estupro
- 15/10/2026 12:43
- Redação
No segundo dia do julgamento, no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, uma mulher afirmou que Brand a estuprou em seu quarto depois que os dois se conheceram durante um evento paralelo à conferência do Partido Trabalhista, em 1999.
“Estávamos ali apenas para que ele abusasse de nós, e o consentimento era irrelevante”, disse ela aos jurados.
A mulher afirmou que achava que Brand era gay e o convidou para voltar ao quarto dela para continuarem a conversa. Segundo ela, sentia-se “sexualmente segura com ele”. Mais tarde, porém, passou a considerá-lo “assustador… ameaçador”.
O advogado de Brand, Ian Winter, sugeriu que ela havia “caído no encanto dele”, o que a mulher rejeitou.
Winter perguntou: “Você não resistiu, não é mesmo?”
Ela respondeu: “Eu não resisti, não, não resisti. Eu não conseguia resistir, não conseguia respirar.”
Quando Winter sugeriu que ela não havia dito “não” em voz alta, a mulher afirmou: “Eu disse ‘não’… Você está tentando colocar coisas na minha cabeça. Eu sei que ele me estuprou, eu disse que não queria aquilo.”
Winter perguntou por que ela não havia denunciado o suposto estupro à polícia na época. Ela respondeu: “Eu tinha vergonha. Não achava que alguém acreditaria em mim. Isso foi em 1999.”
Em um depoimento prestado à polícia e reproduzido para os jurados na manhã desta quinta-feira, a mulher também disse que achava o corpo de Brand “bastante parecido com o de uma cobra… isso me dava enjoo, para ser sincera”.
Ela afirmou ainda que um documentário de 2023, que apresentou acusações de má conduta sexual contra Brand, foi o que a levou a procurar a polícia.
A mulher contou aos jurados que se sentiu culpada ao ouvir outras acusações contra Brand. Emocionada, perguntou: “Se eu tivesse vindo a público, será que isso teria impedido [o que aconteceu com outras mulheres]?”
Ao concluir seu depoimento, declarou: “Posso afirmar com 100% de certeza, por tudo o que me é mais precioso, que não consenti.”
Brand é acusado de ter tentado arrastar uma mulher para dentro de uma cabine de banheiro da MTV Europe, onde ela trabalhava, em 2001. Em outro caso, teria praticado sexo oral forçado contra uma mulher em uma cabine de banheiro de um bar, em 2004.
Ele também responde à acusação de atentado ao pudor contra uma mulher em 2004 ou 2005; de estupro anal contra uma quinta denunciante, após os dois terem mantido relações sexuais consensuais na casa dele, em 2009; e de agressão sexual, ainda naquele ano, contra uma mulher que trabalhava para o Channel 4.
As seis denunciantes têm direito legal ao anonimato por toda a vida e procuraram as autoridades após o documentário de 2023, informou o juiz Joel Bennathan aos jurados nesta quinta-feira.
Ele esclareceu que as mulheres cujas acusações foram apresentadas no documentário não fazem parte do julgamento e que as alegações delas não foram examinadas judicialmente.
O juiz acrescentou: “A defesa poderá sugerir que o programa levou as denunciantes, ou pelo menos algumas delas, a revisitar acontecimentos sexuais antigos e a distorcê-los em suas lembranças, transformando atos consensuais em crimes que agora alegam ter ocorrido.”
A previsão é que o julgamento dure cerca de seis semanas.