Como cancelar os compromissos e ficar em casa sem culpa – você não imagina mas isso pode ser bom para a saúde mental
- 15/10/2026 10:52
- Redação
Quem nunca teve vontade de cancelar os compromissos na rua e passar um tempo sozinho ou curtindo o lar? Tem gente que sofre com essa escolha, achando-se introvertido(a) pelo desejo de isolamento social, mas estudos revelam que ficar em casa por opção faz bem para a saúde mental.
Um estudo da Universidade de Reading, na Inglaterra, publicado pela revista “Nature” acompanhou 178 adultos com 35 anos ou mais no Reino Unido e nos Estados Unidos por até 21 dias, em 2023. Os participantes precisaram registrar em um diário o tempo que passavam sozinhos ou interagindo com outras pessoas, e os níveis de estresse, satisfação com a vida, autonomia e solidão que experenciavam.
O resultado mostrou que eles se sentiam menos solitários e mais satisfeitos quando ficavam em casa por opção própria. Passar mais horas sozinho foi associado a uma maior sensação de redução do estresse, sugerindo os efeitos calmantes da solidão, e com a sensação de liberdade de escolha. “Os efeitos negativos da solidão são anulados ou atenuados quando a solidão diária é autônoma e escolhida”, apontou o levantamento.
“Os confinamentos impostos pela pandemia evidenciaram muitos dos impactos duradouros que podem ocorrer quando somos privados da interação com outras pessoas. Este estudo destaca alguns dos benefícios que a solidão pode trazer, como o tempo a sós pode nos deixar menos estressados e livres para sermos nós mesmos. Passar tempo sozinho pode ser uma escolha saudável e positiva. Não existe um nível universal de socialização ou solidão a ser almejado”, explica a professora Netta Weinstein, da Escola de Psicologia e Ciências da Linguagem Clínica da Universidade de Reading, principal autora do estudo.
Uma das causas da satisfação de cancelar um compromisso é “estresse antecipatório”, que algumas pessoas sentem horas, dias ou até semanas antes do evento, pois o cérebro já começa a gastar energia antes cogitando o que vestir, dizer ou fazer na ocasião, encarando aquilo como obrigação.
Com a troca por ficar em casa, o cérebro se liberta dessas preocupações, gerando alívio e conforto necessários para restabelecer o bem estar emocional. Claro que nem todo mundo pode se dar bem com isso. Dependendo de sua personalidade ou criação, estar sozinho pode ser uma benção ou um martírio. A recomendação é, caso não se sinta bem, procurar ajuda profissional.
A Geração Z como uma das mais reclusas e solitárias da história moderna. Psicólogos vêm recorrendo ao termo hikikomori – cunhado no Japão para descrever jovens que se isolam completamente em seus quartos por seis meses ou mais -, para nomear casos graves de isolamento social, impulsionados pela dependência extrema da internet, ansiedade e fobia social pós-pandemia.
Gostar de ficar em casa, por si só, não indica um problema de saúde mental. A preocupação surge quando a reclusão começa a funcionar como uma forma de evitar situações desconfortáveis e, aos poucos, reduz as possibilidades de convivência. A diferença está menos no tempo isolado do que no prejuízo causado.