Imprensa mundial vê fim da escala 6×1 como impulso eleitoral para Lula
- 15/10/2026 10:00
- Redação
A imprensa internacional repercutiu a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso brasileiro e avaliou a medida como um impulso à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do segundo turno das eleições.
O jornal britânico The Guardian, por exemplo, afirmou que a aprovação da emenda constitucional representa uma “vitória política” de Lula que afetará “principalmente os trabalhadores do comércio varejista, restaurantes e hotéis, a maioria deles de baixa renda – um dos grupos dos quais Lula mais perdeu apoio desde a eleição de 2022”.
O Guardian também pontuou que o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), “passou meses se opondo à mudança, mas mudou de posição na terça-feira, dizendo que ‘a maioria dos trabalhadores brasileiros’ a apoiava”.
A emissora britânica BBC classificou o fim da 6×1 como “a maior reforma dos direitos dos trabalhadores desde o retorno do Brasil à democracia em 1988”.
“Os apoiadores de Lula esperam que a aprovação da lei, que deve beneficiar mais de 30 milhões de trabalhadores, aumente suas chances de se aproximar do seu rival de direita, Flávio Bolsonaro, no segundo turno das eleições, em 25 de outubro”, escreveu a BBC.
O jornal centenário Financial Times escreveu que a PEC aprovada na quarta-feira (14) pelo Senado era uma promessa de campanha de Lula.
“Os aliados de Lula esperam que a emenda constitucional dê impulso ao político veterano na reta final da corrida presidencial. Flávio Bolsonaro se opôs à reforma por muito tempo, mas mudou de ideia esta semana e, junto com muitos de seus aliados no Senado, votou a favor da alteração”, escreveu o veículo londrino.
Uma reportagem publicada no Washington Post destacou que a proposta reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial.
Senado Federal aprova PEC do fim da escala 6x1 em 2 turnos | CNN PRIME TIME
“A emenda concede às empresas 14 meses para adotarem a semana de trabalho mais curta, o que era um ponto crucial nas negociações. Muitos líderes empresariais e legisladores queriam que as mudanças fossem feitas gradualmente ao longo de 10 anos”, escreveu a reportagem no jornal americano.
“Após a votação, muitos senadores entoaram o nome de Lula, enquanto os apoiadores de Bolsonaro deixaram rapidamente o plenário”, acrescentou em outro momento.
O francês Le Monde afirmou que a proposta do fim da 6×1 era defendida há meses pelo governo federal e “é uma das medidas com as quais o presidente Lula conta para diminuir a diferença para Flávio Bolsonaro antes do segundo turno”.
O El País, da Espanha, manchetou: “Dezenas de milhões de trabalhadores no Brasil ganham um segundo dia de folga, uma vitória política para Lula.”
“A equipe de campanha de Lula está confiante de que o fim da escala 6×1, a maior mudança no mercado de trabalho em décadas, lhe dará o impulso necessário para reverter a situação e garantir uma vitória de esquerda nas eleições. Bolsonaro liderava por 1,8 ponto percentual no primeiro turno”, escreveu o jornal.
O portal da emissora alemã DW (Deutsche Welle) publicou uma reportagem em que afirma que a medida poderá beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores, mas ainda deixa de fora um grande número de pessoas na economia informal, como trabalhadores autônomos e motoristas de entrega.
O argentino La Nación relembrou que a Câmara dos Deputados já havia aprovado a proposta por ampla maioria, mas o texto estava parado no Senado há meses. Já o Clarín pontuou que senadores da oposição criticaram a “pressa” e o “uso do aparato estatal” com base no calendário eleitoral.