Grito na floresta salvou um filhote de papagaio raro quando ele já estava nas garras de uma jiboia
- 15/10/2026 07:54
- Redação
Um alerta sonoro emitido por um bando de aves na floresta estadual de Maricao, em Porto Rico, permitiu o resgate de um filhote de papagaio-de-porto-rico (Amazona vittata), uma das espécies mais ameaçadas de extinção do planeta.
O jovem animal, que havia deixado o ninho há cerca de um mês, estava preso pelo corpo de uma jiboia (Boa constrictor) em uma touceira de bambu quando a equipe de conservação chegou ao local. A intervenção rápida garantiu a sobrevivência da ave sem ferimentos graves. As informações são do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS).
A operação de resgate ocorreu durante uma rotina de monitoramento de campo realizada pelo técnico de biologia Raúl Correa. Ao caminhar pela reserva florestal, o profissional identificou uma agitação incomum e gritos repetidos de estresse emitidos por papagaios adultos no topo da canópia.
Ao seguir a direção do som, Correa localizou a jiboia enrolada ao redor do filhote a cerca de quatro metros de altura, em uma haste flexível de bambu. Como a cobra havia fixado a cauda na vegetação para aplicar força de constrição, o biólogo cortou a base da haste de bambu para rebaixá-la até o solo de forma controlada.
Com a vegetação ao alcance das mãos, o especialista manuseou o réptil até que ele soltasse a ave, que permanecia consciente e com reflexos preservados.
A jiboia-comum é uma espécie invasora em Porto Rico. Sem predadores naturais na ilha, esses répteis representam uma das principais ameaças à fauna nativa, atacando ninhos e filhotes de aves locais.
O papagaio-de-porto-rico é alvo de um programa intensivo de recuperação populacional há décadas. A espécie chegou a ter a população selvagem reduzida a poucas dezenas de indivíduos devido à perda de habitat e ao impacto de furacões. Por isso, a sobrevivência de cada filhote nascido na natureza é considerada crítica para a viabilidade demográfica da espécie.
Após ser retirado do local do ataque, o filhote passou por um exame físico completo conduzido por veterinários do programa de conservação. O animal apresentou apenas escoriações superficiais, sem fraturas ou lesões internas.
Depois de permanecer 24 horas sob observação para hidratação e repouso, o papagaio recebeu autorização técnica para soltura. Ele foi devolvido ao mesmo ponto da floresta de Maricao onde havia sido encontrado. Poucos minutos após a liberação, a ave reuniu-se novamente ao seu bando e aos pais biológicos.