Romênia busca tripulantes de navios em chamas no Mar Negro
- 15/10/2026 07:20
- Redação
Equipes de resgate buscam, nesta quinta-feira (15), sete tripulantes desaparecidos de um dos dois navios-tanque de produtos químicos que pegaram fogo durante a noite em águas territoriais romenas, no Mar Negro, após drones russos entrarem no espaço aéreo da Romênia, informaram autoridades romenas.
As autoridades romenas evitaram estabelecer uma ligação explícita entre os incêndios a bordo das embarcações e os drones russos.
No entanto, os incidentes ocorrem na sequência de ataques com drones contra pelo menos cinco outros navios de carga próximos à costa da Romênia e da Bulgária — país vizinho que também é membro da Otan — nos últimos 10 dias.
Pelo menos 23 marinheiros desapareceram nesses ataques, que, diferentemente dos episódios mais recentes, ocorreram logo fora das águas territoriais da Otan.
As duas embarcações atingidas durante a noite estavam ancoradas no Mar Negro, perto da foz do canal que dá acesso ao rio Danúbio — uma importante rota de navegação utilizada pela Ucrânia, uma vez que a Rússia tem atacado os portos ucranianos no Mar Negro.
A autoridade naval da Romênia informou ter recebido um alerta de emergência do navio-tanque “Wine Trader”, que navega sob a bandeira de San Marino.
Sete de seus 12 tripulantes estavam desaparecidos, enquanto cinco foram resgatados.
O Ministério do Interior comunicou o envio de dois helicópteros “Black Hawk” para a missão de busca e salvamento, além de duas embarcações com equipes médicas a bordo.
“No momento, o resgate não pode ser realizado com segurança devido às ondas muito grandes”, afirmou o ministério em um comunicado.
Na noite de quarta-feira (14), o navio-tanque de produtos químicos e petróleo “Yara J”, que ostenta a bandeira das Comores, também pegou fogo.
As autoridades romenas declararam, inicialmente, que não estava claro se a embarcação havia sido alvo de um ataque. Toda a sua tripulação está em segurança.
A Romênia compartilha uma fronteira de 614 km com a Ucrânia, em grande parte ao longo do rio Danúbio.
O país tem relatado, nos últimos quatro anos, violações recorrentes de seu espaço aéreo por drones russos.
Tanto o “Wine Trader” quanto o “Yara J” pegaram fogo nas proximidades da foz do Canal de Sulina, no rio Danúbio, que dá acesso ao Mar Negro.
O local é frequentemente utilizado por navios que permanecem ancorados à espera de autorização para seguir viagem, devido a atrasos causados por condições climáticas ou congestionamento.
O aumento dos ataques a embarcações no Mar Negro, relacionados à guerra entre Rússia e Ucrânia, tem ameaçado provocar uma crise alimentar global nos últimos meses, uma vez que ambos os países — assim como a Romênia — são grandes exportadores de grãos.
“Encaramos o Mar Negro como uma artéria alimentar global”, afirmou a ministra das Relações Exteriores da Romênia, Oana Toiu, durante uma conferência de segurança em Varsóvia, no início desta semana.
“Infelizmente, trata-se, atualmente, do mar mais letal em termos de número de baixas entre marinheiros nos últimos meses. Isso significa que precisamos ampliar nossos investimentos em dissuasão e defesa.”
O primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, declarou que os líderes da UE (União Europeia) discutiriam, nesta quinta-feira, uma proposta de moratória sobre ataques a navios civis no Mar Negro.
A Rússia tem bombardeado os portos ucranianos no Mar Negro, forçando Kiev a depender cada vez mais dos portos no rio Danúbio e de rotas de navegação próximas à costa da Bulgária e da Romênia.
Por sua vez, a Ucrânia tem realizado ataques contra navios russos perto da foz do rio Don, no Mar de Azov.
Navios com carga militar são atacados pela Rússia no Mar Negro | LIVE CNN