Mulheres já são maioria entre formados em cursos ligados ao agronegócio
- 15/10/2026 07:29
- Redação
As mulheres já representam a maioria dos estudantes que concluem cursos superiores ligados ao agronegócio brasileiro.
Em 2024, elas responderam por 50,9% dos formandos nas áreas de agricultura, silvicultura, pesca e veterinária, enquanto os homens corresponderam a 49,1%, segundo o Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os números ganham destaque nesta quinta-feira (15), Dia Internacional das Mulheres Rurais, data que busca reconhecer a contribuição feminina para a produção de alimentos, a segurança alimentar e o desenvolvimento das comunidades do campo.
Em 2026, a pauta também ganha força com o Ano Internacional da Agricultora, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Na América Latina e no Caribe, as mulheres representam 36% da força de trabalho dos sistemas agroalimentares.
Desse contingente, 71% atuam em atividades fora da produção agrícola propriamente dita, como processamento, distribuição e comercialização de alimentos, segundo dados da FAO referentes a 2019, divulgados em relatório regional de 2025.
A campanha internacional da ONU busca ampliar o reconhecimento do trabalho feminino em toda a cadeia agroalimentar e chamar a atenção para obstáculos persistentes, como as dificuldades de acesso à terra, ao crédito, à tecnologia, à assistência técnica e aos mercados.
O levantamento do Inep indica uma mudança no perfil da formação acadêmica em áreas estratégicas para a produção de alimentos, fibras e energia. A participação feminina, no entanto, varia conforme o campo de estudo.
Na área de engenharia, produção e construção, por exemplo, as mulheres representaram 35,8% dos concluintes em 2024, ante 64,2% dos homens.
Os dados mostram que a presença feminina é majoritária no conjunto de cursos de agricultura, silvicultura, pesca e veterinária, mas permanece menor em áreas mais amplas da engenharia.
No mercado de trabalho, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) mostra que as mulheres representam cerca de 20% dos mais de 1,1 milhão de profissionais cadastrados no sistema. O percentual considera todo o conjunto das profissões abrangidas pelo conselho, e não apenas os engenheiros agrônomos.
A comparação entre os indicadores educacionais e os registros profissionais ajuda a dimensionar os avanços e os desafios para ampliar a participação feminina nas carreiras técnicas ligadas ao agronegócio.
Apesar dos avanços na formação acadêmica, as mulheres rurais ainda enfrentam barreiras econômicas e estruturais. De acordo com a FAO, mesmo quando administram propriedades de tamanho semelhante às dos homens, elas obtêm uma produtividade 24% menor, associada a desigualdades no acesso a recursos, capital, educação e tecnologia.
A atuação feminina no campo vai além do trabalho diretamente relacionado ao cultivo e à criação de animais. Agricultoras, trabalhadoras rurais, pesquisadoras, técnicas, empreendedoras e gestoras participam de diferentes etapas dos sistemas agroalimentares, da produção à comercialização.
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