Aprosoja cobra dos presidenciáveis medidas para conter endividamento rural
- 15/10/2026 06:12
- Redação
A Aprosoja Brasil e suas 16 associações estaduais enviaram aos candidatos à Presidência da República uma carta com propostas para conter o endividamento rural e ampliar a proteção à produção agrícola.
O documento, encaminhado na última semana, defende medidas estruturais para reduzir os riscos da atividade e evitar que dificuldades financeiras comprometam a continuidade dos negócios no campo.
A entidade alerta para o contraste entre o desempenho da produção agrícola e a situação financeira de parte dos produtores.
Segundo os dados apresentados na carta, a safra brasileira de soja 2025/26 atingiu o recorde de 180,4 milhões de toneladas, enquanto a inadimplência no crédito rural chegou a 9,7% em agosto de 2026, com R$ 205 bilhões em crédito problemático.
Na avaliação da Aprosoja, os altos custos de produção, as quebras de safra em determinadas regiões e as dificuldades de acesso a recursos comprometeram a rentabilidade de produtores, mesmo em um cenário de crescimento da produção e das exportações do agronegócio.
Por isso a entidade defende que o enfrentamento do problema não se limite a novas rodadas de renegociação de dívidas.
A proposta sugerida é combinar mecanismos de reestruturação financeira com instrumentos permanentes de prevenção de riscos, para reduzir a vulnerabilidade dos produtores diante de eventos climáticos e oscilações de mercado.
Entre as principais reivindicações do setor está a garantia de previsibilidade orçamentária plurianual para a subvenção ao prêmio do seguro rural.
A entidade também propõe ampliar os mecanismos de proteção contra perdas agrícolas e criar um fundo garantidor de risco de crédito rural, com atuação anticíclica para preservar o financiamento do setor em períodos de crise.
A carta defende ainda soluções para a reestruturação do estoque de dívidas rurais, com prazos compatíveis com o ciclo de geração de renda da atividade. O objetivo é evitar que produtores com capacidade de recuperação sejam forçados a interromper suas operações ou perder patrimônio em razão de dificuldades financeiras.
A associação também pede medidas para ampliar a concorrência no mercado de crédito, facilitar o acesso a instrumentos de financiamento e fortalecer a segurança jurídica nas operações rurais.
No campo tributário, a Aprosoja propõe o diferimento do recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas operações do produtor rural para o elo adquirente da cadeia.
Segundo a entidade, a medida ajudaria a evitar a imobilização de recursos durante o ciclo produtivo e o acúmulo de créditos tributários que dependam de compensação ou ressarcimento. Neste contexto, a preocupação é preservar o capital de giro necessário para custear insumos, máquinas, mão de obra e outras despesas antes da comercialização da safra.
O documento também defende medidas para combater a concentração de mercado no fornecimento de insumos e no acesso aos canais de comercialização, além de ampliar a transparência nas relações entre os diferentes elos da cadeia agrícola.
A agenda apresentada aos presidenciáveis inclui investimentos em infraestrutura logística, com destaque para a viabilização de projetos ferroviários como a Ferrogrão e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO). A associação também pede estímulos à ampliação da capacidade de armazenagem e ações para reduzir vulnerabilidades no abastecimento de fertilizantes e outros insumos.
Na área de energia, a Aprosoja reivindica isonomia tributária para os biocombustíveis diante dos incentivos destinados aos veículos elétricos importados. A entidade defende que as políticas de descarbonização considerem a contribuição dos combustíveis renováveis produzidos no Brasil e ofereçam condições competitivas para os investimentos no setor.
A carta reafirma o compromisso da entidade com a preservação ambiental e o cumprimento do Código Florestal. Ao mesmo tempo, pede apoio do próximo governo para enfrentar barreiras comerciais estrangeiras baseadas em critérios de sustentabilidade que a associação considera subjetivos ou externos à legislação brasileira.
A Aprosoja também reivindica segurança jurídica para os produtores e reconhecimento internacional das regras ambientais do país, argumentando que exigências comerciais e padrões privados não devem excluir produtores que estejam em conformidade com a legislação nacional.
Ao apresentar as propostas para o período de 2027 a 2030, a entidade sustenta que a competitividade do agronegócio depende não apenas do aumento da produção, mas também de condições financeiras, tributárias e logísticas que permitam ao produtor manter a atividade e investir nas próximas safras.
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