Kraft Heinz quer dobrar de tamanho no Brasil até 2030, com apoio do campo
Agronegócios

Kraft Heinz quer dobrar de tamanho no Brasil até 2030, com apoio do campo

  • 15/10/2026 03:20
  • Redação

A Kraft Heinz Brasil quer dobrar de tamanho até 2030. Para alcançar a meta, a companhia aposta na expansão de suas marcas e no fortalecimento da produção local, do campo às fábricas. Em 2025, a subsidiária brasileira registrou receita bruta próxima de R$ 4 bilhões.

“Nos últimos 5 anos, a empresa já dobrou de tamanho, uma parte em função de crescimento orgânico, orgânico, mas também uma parte em função de um crescimento inorgânico. Para os próximos cinco anos, já está traçado o nosso plano. Nossa ambição é continuar crescendo nessa mesma velocidade e dobrar de tamanho até 2030. Tudo isso está sendo permitido através do campo”, afirmou Ariel Grunkraut, CEO da Kraft Heinz Brasil.

A Kraft Heinz investiu R$ 1 bilhão em expansão e modernização de fábricas, inovação e logística. No mesmo período, adquiriu as marcas Hemmer e BR Spices. 

Embora não seja uma empresa do agronegócio, a fabricante de alimentos tem na agricultura um elo estratégico para garantir o abastecimento de suas fábricas e sustentar a expansão dos negócios. Um dos exemplos é o tomate, matéria-prima que passa pelo processamento industrial antes de chegar aos consumidores em produtos como o ketchup Heinz, molhos e extratos de tomate.

A estratégia envolve parcerias com produtores rurais, desenvolvimento de sementes e técnicas de manejo voltadas ao aumento da produtividade e à adaptação das lavouras às condições climáticas.

O aumento da oferta agrícola acompanha a expansão das marcas. Segundo Grunkraut, o volume de tomates colhidos e processados pela Kraft Heinz em 2026 será 15% superior ao da safra anterior, sem necessidade de ampliar proporcionalmente a área plantada.

Do tomate ao ketchup

O tomate que sai do campo pode seguir diferentes caminhos dentro do portfólio da companhia, da pasta usada no ketchup Heinz aos ingredientes empregados em outros alimentos. No caso do ketchup, a produção nacional da matéria-prima representa uma mudança na estrutura de abastecimento da empresa.

Até 2024, a Kraft Heinz precisava importar pasta de tomate da Califórnia, nos Estados Unidos, para complementar o volume necessário no Brasil. A partir de então, todo o ketchup Heinz consumido no país é produzido com tomates cultivados em solo nacional, segundo a companhia. Todos os anos são colhidos cerca de 7 bilhões de tomates industriais, em lavouras que alcançam produtividade de 130 toneladas por hectare.

“Alcançar a autossuficiência na produção de pasta de tomate Heinz foi um passo importante para fortalecer a operação brasileira”, afirmou Grunkraut.

A mudança reduz a exposição da empresa a oscilações cambiais, tarifas de importação e eventuais interrupções no transporte marítimo internacional. Com a matéria-prima disponível no país, a companhia também ganha agilidade para ajustar o abastecimento às necessidades das fábricas e ampliou o controle da empresa sobre uma etapa importante da cadeia de suprimentos.

A produção local, porém, não significa que a expansão internacional esteja descartada. A empresa já havia mencionado em entrevistas recentes a intenção de exportar para outros mercados da América Latina no médio prazo. Agora, segundo a companhia, a prioridade é atender à demanda brasileira e ampliar a fabricação nacional, embora oportunidades futuras de exportação continuem no radar.

O aumento de 15% no volume de tomates previsto para 2026 reflete ganhos de eficiência no campo e no processamento. A estratégia também depende do desempenho dos produtores parceiros, alguns dos quais fornecem matéria-prima à companhia há mais de uma década.

“Hoje, a gente consegue entregar uma produtividade até 40% acima da produtividade nacional”, afirmou Matheus Pimentel, diretor de Suprimentos e Agricultura da Kraft Heinz, ao comentar os resultados de uma das propriedades fornecedoras.

Segundo o executivo, a distribuição das lavouras entre diferentes polos agrícolas de Goiás também ajuda a reduzir riscos operacionais. Se chuvas inesperadas prejudicam uma região, a empresa pode recorrer a outras áreas para manter o volume de abastecimento.

A produtividade das lavouras pode chegar a 130 toneladas por hectare, de acordo com os dados apresentados pela companhia. Para alcançar esses resultados, a Kraft Heinz trabalha com produtores rurais e com a Heinz Seeds no desenvolvimento de híbridos adequados às condições brasileiras, além de investir em técnicas de irrigação e manejo.

  • Fonte: CNN Brasil
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