Em 16 de outubro de 1793, Maria Antonieta ia à guilhotina. Entenda o que aconteceu durante um dos maiores julgamentos da França
- 14/10/2026 20:21
- Redação
Em 16 de outubro de 1793, no auge do Terror jacobino na Revolução Francesa, a rainha Maria Antonieta foi executada na guilhotina, aos 38 anos. O ato ocorreu pontualmente às 12 horas, no centro de Paris.
A condenação à morte encerrou a trajetória da monarca austríaca, que estava presa desde o ano anterior junto com a família real. O destino trágico expôs intrigas de corte, acusações populares e controvérsias históricas.
Nascida na Áustria como Maria Antônia, a jovem casou-se aos 14 anos com o herdeiro francês Luís Augusto, que tinha 16 anos. O matrimônio por procuração visava selar a aliança entre os dois países.
Ao chegar à fronteira francesa, a jovem foi forçada a se despir completamente e abandonar roupas e enxoval originais. Ela recebeu um traje dourado para continuar a viagem até o Palácio de Versalhes.
O noivo deu-lhe apenas um beijo rápido no rosto ao conhecê-la. Na manhã seguinte ao casamento, o jovem registrou apenas a palavra “Nada” em seu diário pessoal, algo que se repetiria durante anos.
Apesar de aprender a falar francês fluentemente, a nobre sofreu forte rejeição na corte. O apelido de chienne (“cadela”) derivou de uma adaptação pejorativa da palavra francesa para austríaca.
A demora de anos para gerar herdeiros motivou a circulação de panfletos satíricos e difamatórios. A população a acusava de ninfomania e de manter diversos amantes na corte.
Apelidada de “Madame Déficit”, a rainha era responsabilizada pelos gastos excessivos do Estado com festas, decorações e artigos de luxo. A insatisfação popular cresceu em meio à crise financeira do país.
Em 1785, o chamado “Caso do Colar” envolveu uma fraude de 1,6 milhão de libras com joias que arruinou a imagem da soberana. Mesmo sendo inocente no golpe, a reputação da monarca ruiu perante o povo.
Após a eclosão da revolução em 1789, a família real foi detida em agosto de 1792. Durante os massacres de setembro, a princesa de Lamballe, amiga íntima da rainha, foi morta brutalmente.
Revolucionários decapitaram a nobre e exibiram a cabeça em uma estaca na cela da monarca para forçá-la a beijá-la. O choque fez Maria Antonieta desmaiar imediatamente.
Na prisão, a soberana enfrentou hemorragias constantes ligadas a uma menopausa precoce e a um possível câncer uterino. O rei Luís XVI acabou executado em janeiro de 1793.
O filho herdeiro da coroa foi entregue a um sapateiro analfabeto, que o embebedava e o fazia cantar canções revolucionárias. O menino faleceu no cárcere aos 10 anos, vítima de tuberculose e desnutrição.
Durante o julgamento em outubro de 1793, os tribunais acusaram a rainha de diversos crimes, incluindo a acusação de incesto contra o próprio filho.
A ré reagiu afirmando que a própria natureza se recusava a responder a tal acusação perante uma mãe. Sua declaração arrancou aplausos das mulheres presentes no tribunal.
Na madrugada anterior à execução, a monarca escreveu uma carta de despedida para a cunhada. A mensagem acabou confiscada pelo promotor público e jamais chegou à destinatária.
Após a execução, o corpo da rainha foi enterrado em uma vala comum. Anos mais tarde, os restos mortais foram exumados e transferidos para a Catedral de Saint-Denis.
Historiadores dividem opiniões sobre a figura de Maria Antonieta no poder. Diversos autores a retrataram como fútil, imprudente e distante das necessidades do povo francês.
Outras pesquisas recentes indicam que a nobre usava a moda como uma ferramenta política de afirmação e autoridade. Há também biografias que destacam seu amadurecimento e coragem diante dos sofrimentos do cárcere.