Juros futuros avançam após dados de inflação dos EUA
- 14/10/2026 15:45
- Redação
As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira (14) com altas depois de serem influenciadas ao longo do dia pelo vai e vem dos rendimentos dos Treasuries, após a divulgação de novos dados de inflação nos EUA.
No Brasil, investidores também aguardavam a nova pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial, programada para o início da noite.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,725%, com alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,699% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,66%, com elevação de 8 pontos-base ante 12,579%.
Pela manhã o governo dos EUA informou que seu CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) subiu 0,6% em setembro, em linha com o projetado por economistas ouvidos pela Reuters.
Imediatamente após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries de curto e longo prazo dispararam, com os investidores elevando as apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
O avanço dos rendimentos dos Treasuries fez as taxas dos DIs marcarem máximas e o dólar avançar ante o real. Às 9h36, logo após os números do CPI, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 12,710% (+13 pontos-base).
“Por mais que (o CPI) tenha vindo em linha com o mercado, há uma certa ansiedade para os próximos passos do Fed. Então, há uma aversão a risco por conta da possibilidade de juros mais elevados nos EUA”, pontuou o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.
Durante a tarde, no entanto, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo perderam força e migraram para o território negativo, o que fez as taxas dos DIs se reaproximarem da estabilidade em toda a curva. Na reta final da sessão, elas voltaram a operar em alta.
Ainda que o exterior tenha determinado a volatilidade vista no Brasil, os investidores se mantiveram atentos ao noticiário político.
A nova pesquisa Quaest sobre a disputa pela Presidência será divulgada após as 18h. Na terça-feira, outras pesquisas – entre elas uma da BTG/Nexus – mostraram empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pela manhã, Flávio disse que participará do debate eleitoral promovido pela Band no próximo domingo, após ter afirmado na terça-feira que não iria ao evento. Lula já havia confirmado sua participação.
Flávio segue como o nome favorito do mercado, que vê em sua eleição a possibilidade de maior controle das contas públicas – ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado propostas concretas de ajuste até o momento.
Por Rita Mundim: Mercado de trabalho e inflação pressionam juros dos EUA | MONEY NEWS
Na visão de boa parte dos agentes do mercado, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu na semana passada na redução de prêmios na curva de DIs e no recuo do dólar ante o real. Nesta semana, no entanto, há certa devolução de prêmios à curva.
Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o setor de serviços recuou 0,1% em agosto ante julho e teve alta de 0,6% ante agosto do ano passado. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,4% na margem e elevação de 1,1% na comparação anual.
“A pesquisa de serviços foi ruim, comprovou a desaceleração da atividade, mas ganhou contornos secundários” em função da eleição, pontuou Spiess.
Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – caía 2 pontos-base, a 5,198%.