Rússia prende jornalista japonês sob suspeita de espionagem
Internacional

Rússia prende jornalista japonês sob suspeita de espionagem

  • 14/10/2026 11:27
  • Redação

A Rússia informou, na terça-feira (13), que deteve um jornalista japonês sob suspeita de espionagem e acusou Tóquio de utilizar correspondentes de imprensa para coletar informações de inteligência, marcando um novo ponto crítico nas relações bilaterais, que se deterioraram acentuadamente nos últimos meses.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia identificou o jornalista como Yuki Imai, e o serviço de segurança FSB afirmou que ele trabalhava para o jornal “Hokkaido Shimbun”, um periódico regional da ilha de Hokkaido, no norte do Japão.

Ele foi detido na região de Sacalina, no Extremo Oriente russo, um dia antes de sua partida planejada do país, segundo o FSB, que não especificou a data exata.

O órgão o acusou de coletar e armazenar informações sobre as capacidades de defesa da Rússia para fins de inteligência — dados que, segundo a agência, poderiam ser utilizados contra a segurança russa.

O “Hokkaido Shimbun” não confirmou a identidade do jornalista, declarando apenas que ainda estava apurando os detalhes e que a segurança do repórter era sua prioridade máxima.

Japão convoca embaixador russo

O secretário-chefe do Gabinete do Japão, Minoru Kihara, disse nesta quarta-feira (14) que Tóquio havia solicitado informações às autoridades russas e pedido tratamento justo e consideração humanitária para o cidadão japonês.

Um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Japão convocou posteriormente o embaixador russo no país e apresentou um protesto pela detenção do cidadão japonês e pela divulgação unilateral de declarações sobre o caso, sem fornecer explicações a Tóquio, informou o ministério em comunicado.

O diretor-geral do Departamento de Assuntos Europeus do Ministério das Relações Exteriores, Kimitake Nakamura, também pediu ao embaixador, Nikolay Nozdrev, que providenciasse rapidamente uma oportunidade para encontrar o jornalista detido, segundo o ministério.

Em uma reportagem de vídeo da TV estatal russa, três homens mascarados e uniformizados de preto algemavam um homem deitado no chão, enquanto uma voz afirmava que ele era suspeito de espionagem.

O vídeo mostra o homem sendo conduzido por dois agentes do FSB para dentro de um avião e, posteriormente, dentro de uma cela gradeada em um tribunal de Moscou, que ordenou sua detenção por quase dois meses.

Trata-se da detenção de maior repercussão envolvendo um jornalista estrangeiro desde a prisão, em 2023, do repórter do “Wall Street Journal” Evan Gershkovich.

Gershkovich — que afirma ter sido vítima de uma operação de armadilha cuidadosamente planejada pelo FSB — foi considerado culpado de espionagem por um tribunal russo, condenado a 16 anos de prisão e, posteriormente, libertado em uma troca de prisioneiros entre o Oriente e o Ocidente, realizada em agosto de 2024.

Tensões de longa data

O caso intensifica as tensões de longa data entre a Rússia e o Japão, países que ainda não assinaram um tratado de paz formal referente à Segunda Guerra Mundial devido a uma disputa territorial pelas Ilhas Curilas, conhecidas no Japão como Territórios do Norte.

Essas tensões se agravaram quando o Japão aderiu às sanções ocidentais contra Moscou em razão da guerra na Ucrânia, levando a Rússia a classificar o o pais como “hostil”.

No entanto, os laços comerciais persistem, com o Japão continuando a comprar gás natural liquefeito (GNL) russo.

Em agosto, o presidente russo, Vladimir Putin, visitou uma das ilhas em disputa, provocando forte reação no Japão.

Na terça-feira (13), uma delegação de uma província chinesa visitou a mesma ilha, num gesto que pareceu sinalizar uma coordenação mais estreita entre Moscou e Pequim nas críticas a Tóquio.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou na terça-feira que o Japão se recusou a levar em conta as preocupações de Moscou sobre o que ela chamou de “remilitarização” de Tóquio.

Ela criticou o suposto uso, pelo Japão, de jornalistas credenciados na Rússia para coletar informações que poderiam comprometer a segurança russa.

“Devemos ressaltar que o ocorrido se tornará mais um fator a prejudicar a atmosfera das relações russo-japonesas”, disse Zakharova.

Questionada se a melhora nas relações entre a Rússia e os Estados Unidos, somada às compras de GNL russo pelo Japão, dificultava a adoção de contramedidas por parte de Tóquio, Kihara, representante japonês, declarou: “É verdade que existem muitas questões pendentes entre o Japão e a Rússia.

“Da perspectiva japonesa, apesar da situação difícil nas relações bilaterais, o Japão adotou medidas firmes com base em sua posição. Ao mesmo tempo, a Rússia é um país vizinho, e a comunicação é necessária para resolver essas questões.”

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  • Fonte: CNN Brasil
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