Flávio tem vantagem razoável, mas Lula segue competitivo, diz CEO da Nexus
Politica

Flávio tem vantagem razoável, mas Lula segue competitivo, diz CEO da Nexus

  • 14/10/2026 02:24
  • Redação

A pesquisa BTG Nexus aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lidera a corrida presidencial com uma vantagem de quatro pontos percentuais em votos válidos — 52% a 48% —, mas o cenário eleitoral ainda está longe de ser definido. Ao Hora H, Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece competitivo, o que torna o segundo turno imprevisível.

Tokarski explicou que, no primeiro turno, Flávio saiu das urnas com uma vantagem de aproximadamente 1,8 ponto percentual, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos.

“Até aqui, Flávio dobrou essa vantagem”, afirmou.

Considerando a abstenção, essa diferença estaria na casa dos 4 milhões de votos, podendo chegar a quase 4,5 milhões em favor de Flávio.

Estreitamento da diferença acende alerta

Tokarski destacou que pesquisas divulgadas na semana anterior — de outros institutos que já realizaram dois levantamentos neste segundo turno — mostram um estreitamento da diferença entre os candidatos.

Para ele, isso indica que, ao contrário do que se esperava, Flávio não manteve um ritmo forte de crescimento. “Ele cresce, mas Lula ainda se mantém competitivo”, disse o analista.

Os dados da BTG Nexus mostram ainda que 59% dos eleitores apostam numa vitória de Flávio, mas, segundo Tokarski, “o jogo não está definido ainda”.

O analista também apontou uma mudança de postura na campanha de Flávio como reflexo desse cenário apertado. Flávio anunciou que votará a favor do fim da escala 6×1, pauta que vinha sendo trabalhada por Lula para conquistar novos votos.

“Flávio deve ter percebido que isso poderia gerar um desgaste”, avaliou Tokarski. Para ele, trata-se de uma eleição com favoritismo de Flávio, mas em que uma virada, embora difícil, “não é impossível”.

Abstenção como fator decisivo

Um ponto central da análise de Tokarski é o risco da abstenção. Em 21 estados, que somam mais de 90% do eleitorado brasileiro, não haverá eleição para governador no dia 25, o que significa que a única motivação para o eleitor sair de casa será votar para presidente.

Nesse contexto, ambas as campanhas enfrentam o desafio de manter seus eleitores mobilizados.

O analista chamou atenção para um risco específico para a campanha de Flávio: cerca de 23% de seus eleitores declararam que o principal motivador de voto é a rejeição a Lula, e não a preferência por Flávio. “Se esse eleitor achar que Flávio já está ganhando a eleição, pode acabar desistindo de comparecer”, alertou Tokarski.

Além disso, ele ressaltou que 68% dos eleitores sem eleição para governador vivem em estados governados por representantes de direita — justamente onde Flávio tende a ser mais votado —, o que torna a desmobilização desse eleitorado um risco real para a campanha.

Mobilizações e disputa digital

Sobre as manifestações de rua promovidas pelo PT, Tokarski informou que as entrevistas da pesquisa BTG Nexus foram realizadas no sábado (10), domingo (11) e segunda-feira (12) — período em que ocorreram as duas maiores mobilizações, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Segundo ele, a pesquisa pode ter captado parte desse movimento, assim como o avanço da campanha de Lula nas redes sociais.

“Certamente isso vai ensejar uma reação da campanha bolsonarista, que perdeu espaço nesse debate digital”, afirmou, acrescentando que está programada uma grande mobilização em São Paulo para o próximo final de semana.

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  • Fonte: CNN Brasil
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