Aclara revisa para R$ 2,5 bi custo de refinaria de terras raras nos EUA
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Aclara revisa para R$ 2,5 bi custo de refinaria de terras raras nos EUA

  • 13/10/2026 13:09
  • Redação

A Aclara Resources revisou de US$ 277 milhões para US$ 494 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) a estimativa de investimento para construir uma refinaria de terras raras nos Estados Unidos, um aumento de 78%.

A unidade, planejada para o estado da Louisiana, deverá processar minerais provenientes de projetos da companhia no Brasil e no Chile.

A atualização foi anunciada nesta terça-feira (13), após a conclusão dos estudos de engenharia básica do empreendimento, denominado projeto Dynamo. Segundo a mineradora, a revisão reflete principalmente a ampliação da capacidade industrial, a inclusão de novas linhas de processamento e o maior detalhamento dos custos de construção.

Com as mudanças, a produção total projetada de óxidos separados de terras raras deverá aumentar 157%, passando de aproximadamente 1.265 para 3.255 toneladas anuais, considerando o funcionamento dos projetos fornecedores de matéria-prima em plena capacidade.

A companhia pretende iniciar a preparação do terreno no primeiro trimestre de 2027 e concluir a construção no segundo semestre de 2028. O cronograma, no entanto, depende da obtenção de financiamento e do cumprimento das demais condições necessárias ao desenvolvimento do empreendimento.

O projeto integra a estratégia da Aclara de desenvolver uma cadeia de terras raras fora da China, conectando a extração mineral na América do Sul ao processamento industrial nos Estados Unidos.

No Brasil, a companhia desenvolve o projeto Carina, em Nova Roma, no estado de Goiás, considerado seu principal ativo mineral. A previsão é iniciar a produção comercial no segundo semestre de 2028.

A operação brasileira deverá produzir um carbonato misto de terras raras de elevada pureza, que será enviado à planta americana para separação em óxidos individuais. Essa é uma das etapas de maior complexidade tecnológica da cadeia e permite obter produtos utilizados posteriormente na fabricação de metais, ligas e ímãs permanentes.

Ampliação da capacidade

A revisão do investimento está associada à expansão do escopo industrial do Projeto Dynamo, que inicialmente previa a separação de neodímio-praseodímio (NdPr), disprósio e térbio, elementos utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

A companhia anunciou na semana passada a inclusão de três novas linhas de separação, destinadas à produção de ítrio, gadolínio e samário. Esses minerais possuem aplicações em setores como geração de energia, indústria aeroespacial e tecnologias avançadas.

A expansão também contempla um aumento de aproximadamente 42% na capacidade de separação de disprósio e térbio, permitindo incorporar o material proveniente do projeto Penco, localizado no Chile.

Com a nova configuração, a produção anual projetada de óxido de disprósio passou de 140 para 200 toneladas, enquanto a de térbio aumentou de 25 para 35 toneladas. Já a capacidade prevista de NdPr foi elevada de 1.100 para 1.300 toneladas.

A refinaria também deverá produzir anualmente 1.350 toneladas de óxido de ítrio, 180 toneladas de gadolínio e 190 toneladas de samário, que não estavam contemplados no escopo original.

Para acomodar o aumento da produção, o número de equipamentos de mistura e decantação utilizados no processo de extração por solventes será ampliado de 340 para 478.

A nova estimativa de investimento foi elaborada pela empresa de engenharia Hatch e corresponde a um orçamento de Classe 3, mais detalhado que a estimativa conceitual de Classe 5 utilizada anteriormente.

Financiamento americano

A Aclara também busca financiamento junto ao Export-Import Bank of the United States, banco de fomento do governo americano.

Em setembro, a instituição enviou uma carta de interesse indicando a possibilidade de financiar até US$ 750 milhões para o desenvolvimento da plataforma industrial da companhia na Louisiana.

O valor contempla não apenas a unidade de separação de terras raras, mas também instalações planejadas para a produção de metais e ligas, etapas posteriores do processamento mineral.

A carta, entretanto, não representa aprovação definitiva do crédito. A operação ainda depende de análises financeiras, ambientais e regulatórias, além da apresentação de um pedido formal de financiamento pela Aclara.

Cadeia integrada e transferência de tecnologia

A refinaria nos Estados Unidos faz parte da estratégia da Aclara de desenvolver uma cadeia integrada de terras raras fora da China, desde a extração mineral até a produção de metais e ligas utilizados na fabricação de ímãs permanentes.

Nesse modelo, os projetos Carina, em Goiás, e Penco, no Chile, serão responsáveis pela extração dos minerais e pela produção de carbonato misto de terras raras de elevada pureza, um produto intermediário da cadeia que ainda precisa passar por processos industriais para a obtenção dos elementos individualmente.

O material será enviado à unidade americana, onde ocorrerá a separação dos diferentes elementos em óxidos de alta pureza. Posteriormente, esses produtos poderão ser transformados em metais e ligas, utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos industriais e de defesa.

Para avançar nessa etapa, a Aclara também mantém uma parceria com a chilena CAP voltada ao desenvolvimento da produção de ligas de terras raras. O objetivo é integrar diferentes fases da cadeia produtiva, reduzindo a dependência de fornecedores externos, especialmente da China, que concentra grande parte da capacidade mundial de processamento desses minerais.

Apesar de concentrar inicialmente a separação industrial nos Estados Unidos, a companhia já afirmou que avalia a possibilidade de transferir a tecnologia de refino para o Brasil no futuro, conforme o avanço dos projetos minerais e o desenvolvimento de sua capacidade tecnológica.

Segundo avaliações de executivos da Aclara, as condições atuais de custos e implantação industrial são mais favoráveis nos Estados Unidos, mas isso não elimina a possibilidade de desenvolver etapas adicionais de processamento no território brasileiro.

A empresa considera que a consolidação da tecnologia e da operação americana poderá abrir caminho para sua aplicação em outros mercados, incluindo o Brasil. Até o momento, contudo, não foi anunciada uma decisão de investimento para construir uma refinaria comercial no país.

  • Fonte: CNN Brasil
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