Juros altos limitam expansão de empreendimentos, diz gestora de shoppings
- 13/10/2026 13:10
- Redação
A Allos, uma das maiores proprietárias de shoppings do Brasil, enfrenta os desafios impostos pelo cenário de juros elevados no país e ajusta sua estratégia de investimentos em resposta à volatilidade macroeconômica.
Em entrevista ao programa “Call de Negócios“, Rafael Sales, CEO da companhia, detalhou os impactos do ambiente econômico atual sobre os negócios e apresentou as perspectivas para os próximos meses.
Segundo Sales, os juros elevados representam não apenas o custo do dinheiro, mas também uma precificação do risco de se fazer negócios no país. “Os juros são o custo de se fazer investimentos num país. Ele traz não só o custo do dinheiro, mas também uma precificação do risco de fazer negócios”, afirmou.
O executivo destacou que o modelo de negócios da companhia exige cautela redobrada na alocação de capital, uma vez que os retornos são obtidos de forma gradual, por meio de aluguéis recebidos ao longo do tempo.
O cenário atual levou a empresa a reduzir significativamente o número de projetos em andamento. “No portfólio atual, sem considerar projetos de shoppings novos, a gente poderia estar lançando entre 15 e 20 expansões e transformações.
Enquanto que hoje a gente deve estar fazendo 4 ou 5 projetos como esse”, explicou.
Ainda assim, ele ressaltou que a estratégia da Allos não foi alterada em sua essência, uma vez que a companhia se preparou nos últimos anos para navegar diferentes cenários macroeconômicos, reforçando seu portfólio com shoppings considerados destinos relevantes para os consumidores.
Rafael Sales também comentou sobre o impacto da recuperação judicial das Casas Bahia, que resultou no fechamento de cerca de 16 lojas dentro dos empreendimentos da Allos.
O executivo afirmou que os valores específicos de aluguel perdido não são divulgados por lojista, mas demonstrou solidariedade à situação enfrentada pela varejista. “A gente lamenta muito que mais um lojista tradicional, uma empresa que a gente admira e tem carinho, passe por um processo como esse”, declarou.
Sales atribuiu as dificuldades das Casas Bahia a dois fatores principais: o cenário macroeconômico de juros elevados, agravado pelo que classificou como falta de disciplina fiscal, e a concorrência de plataformas de comércio eletrônico chinesas que comercializam produtos sem a incidência de impostos.
Apesar do impacto negativo na receita previsto para o segundo semestre, a Allos afirmou contar com demanda suficiente para realocar as áreas desocupadas para operadores de lazer, entretenimento e restaurantes, segmentos que apresentam crescimento expressivo.
Outro tema abordado na entrevista foi a parceria firmada entre a Allos e a Kinea para a criação de uma cogestão de fundos ligados a ativos de shoppings.
A iniciativa prevê o lançamento de um fundo de shopping centers com captação estimada entre R$ 600 milhões e R$ 2 bilhões, sujeito a registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e às condições do mercado. “A ideia é ter uma gestora capacitada em que a Allos também seja gestora de capital em parceria com a Kinea”, explicou o representante da companhia.
A parceria une, segundo o executivo, a maior proprietária de shoppings do Brasil com a maior gestora de fundos imobiliários e de fundos alternativos do país.
A Allos também será cotista do fundo, garantindo alinhamento estratégico e de governança. O produto tem como público-alvo tanto pessoas físicas quanto investidores institucionais que busquem exposição ao segmento de shoppings de forma tributariamente eficiente.
O lançamento ainda não tem data definida e dependerá da obtenção dos registros regulatórios e das condições de mercado.
O programa Call de Negócios é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Letycia Cardoso. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h15, no CNN Money.
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