Fumaça: atendimentos por doenças respiratórias sobem 10,5% em Manaus
- 13/10/2026 12:32
- Redação
A fumaça das queimadas que encobre Manaus pode agravar problemas respiratórios e provocar efeitos sobre o sistema cardiovascular. Dados da Semsa (Secretaria Municipal de Saúde de Manaus) apontam um aumento de 10,5% nos atendimentos por doenças respiratórias na rede municipal de saúde entre agosto e setembro.
Foram registrados 4.934 atendimentos em agosto e 5.452 em setembro, uma diferença de 518 registros. A secretaria afirma que não dispõe de dados específicos que relacionem os atendimentos diretamente à exposição à fumaça das queimadas.
No entanto, especialistas apontam que a exposição ao ar de má qualidade pode provocar tosse e desconforto, além de agravar doenças preexistentes, como asma e outras condições pulmonares crônicas.
A recomendação é de que a população reduza a exposição à poluição, evite atividades físicas ao ar livre e adote medidas de proteção, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.
Segundo o pneumologista Mário Sérgio Fonseca, do HUGV-Ufam (Hospital Universitário Getúlio Vargas), os gases e as partículas presentes na fumaça irritam os olhos, o nariz, a garganta e as vias respiratórias.
Em situações de exposição prolongada, os efeitos podem incluir falta de ar, piora dos sintomas respiratórios e necessidade de atendimento médico.
Pessoas com doenças cardiovasculares e gestantes também exigem atenção, devido aos possíveis efeitos da inalação de material particulado e monóxido de carbono.
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A inalação de partículas e gases presentes na fumaça pode causar diferentes sintomas, especialmente quando a qualidade do ar está comprometida. Entre os sinais estão:
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas estão entre os grupos que exigem maior cuidado.
A principal recomendação é diminuir o contato com o ar poluído enquanto a qualidade do ar estiver ruim.
A Semsa e especialistas da Comissão de Doenças Ambientais e Ocupacionais Pulmonares da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia orientam evitar caminhadas, corridas, passeios de bicicleta e outras atividades físicas ao ar livre durante esses períodos.
Entre as medidas de proteção estão:
Pessoas que apresentarem sintomas leves devem procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde), conforme a orientação da Semsa. Já sinais mais graves, como dificuldade intensa para respirar, exigem atendimento de urgência.
Em emergências, a população pode acionar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), pelo número 192. A Defesa Civil também recomenda evitar a exposição prolongada à fumaça, acompanhar as orientações das autoridades e procurar atendimento médico diante de sintomas importantes.
Quando possível e seguro, a população pode considerar se deslocar para áreas menos afetadas.
Em meio a fumaça provocada pelos incêndios florestais no Amazonas, Manaus registra, pelo sexto dia consecutivo, qualidade do ar considerada “péssima” e mantém todas as atividades escolares da rede municipal de ensino suspensas nesta terça-feira (13).
Dados do Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental) apontam degradação da qualidade do ar em outros cinco municípios: Autazes e Itacoatiara, na região metropolitana; Urucurituba e Maués, no interior; e Itapiranga, na região do Médio Amazonas.
Diante do risco de agravamento das condições atmosféricas, a Prefeitura de Manaus decidiu manter a suspensão das aulas como medida preventiva para reduzir a exposição à fumaça e preservar a saúde da população.
O Amazonas enfrenta focos de incêndio em mais de 30 municípios. O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 cidades, enquanto os focos de queimadas registrados nos primeiros dias de outubro apresentaram aumento de 271%.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo