“Uma esposa de Cristo nunca pode pensar em abandonar a casa de Deus”: O segredo sombrio que manteve monjas presas em convento argentino
- 11/10/2026 17:09
- Redação
Uma investigação jornalística iniciada em agosto de 2016 revelou a rotina de violência e isolamento vivenciada por monjas carmelitas no Monastério de las Carmelitas Descalzas de Nogoyá, na Argentina.
O caso veio à tona após a publicação de uma reportagem pela revista Análisis, desencadeando uma operação policial no local e culminando na condenação da ex-madre superiora Luisa Ester Toledo por privação ilegítima da liberdade.
A história real inspirou a minissérie dramática ‘Confinada’, lançada na plataforma de streaming HBO Max.
Durante a inspeção policial realizada no convento, autoridades apreenderam chicotes de couro de 50 centímetros trançados com nós e endurecidos com cera, correntes de arame farpado e mordaças caseiras feitas com embalagens plásticas de suplementos vitamínicos e elásticos.
Em depoimento anexado ao processo judicial, a ex-religiosa Silvia Graciela Albarenque afirmou ter sido forçada a utilizar a mordaça por uma semana como punição por ter questionado ordens dentro do mosteiro.
Albarenque declarou que teve pedidos de saída negados por Luisa Toledo com a justificativa de que “uma esposa de Cristo nunca tem de pensar em abandonar a casa de Deus”.
Outra ex-integrante, Roxana Andrea Peña, relatou ter sido mantida no local contra sua vontade por um ano e meio.
Luisa Ester Toledo assumiu a liderança do mosteiro em 2006 sob o nome de Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade. Em sua defesa, a ex-religiosa negou as acusações, afirmando que os rituais constituíam penitências religiosas tradicionais e que não recebeu solicitações formais para liberação das monjas.
Três anos após o início das investigações, Toledo foi condenada a três anos de prisão por privação ilegítima da liberdade, qualificada pelo uso de violência e ameaças.
*Com informações de Juliana Santos em colaboração para CNN Brasil