Obesidade é comum no Brasil e pode levar à morte; veja como prevenir
- 11/10/2026 02:35
- Redação
A obesidade é uma doença crônica definida como o acúmulo excessivo de gordura no corpo. Diversos fatores biológicos e comportamentais estão relacionados ao diagnóstico e podem levar ao óbito. O alerta ganha destaque neste domingo (11), considerado o Dia Nacional da Prevenção da Obesidade.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a doença afeta cerca de 1,1 bilhões de pessoas no mundo. No Brasil, o excesso de peso ultrapassou a hipertensão e se tornou o principal fator de risco associado à saúde, segundo um estudo publicado neste ano na revista The Lancet Regional Health – Américas.
De acordo com dados analisados no estudo, em 1990, o índice de massa corporal elevado e a glicose alta no sangue ocupavam o 7º e o 6º lugar no ranking dos aspectos que mais tiravam a saúde dos brasileiros. Em 2023, eles subiram para o 1º e o 3º lugar, ultrapassando a pressão arterial elevada.
O perfil de risco também mudou. Crianças estão entre as que mais recebem diagnóstico de obesidade no mundo. Segundo a OMS, a prevalência da doença nessa faixa etária quadriplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.
O crescimento levou a organização a emitir as primeiras diretrizes sobre o tratamento de obesidade para crianças e adolescentes.
Entre as recomendações apontadas pela organização estão abordagens integradas que combinem obrigatoriamente intervenções na dieta dos menores, atividade físicas e mudanças comportamentais, em vez de medicamentos emagrecedores e cirurgias.
No entanto, no caso dos adultos, a utilização de produtos a base de GLP-1, como as canetinhas emagrecedoras, ainda são vistos como uma opção quando alinhadas ao acompanhamento médico adequado.
Segundo o médico e cirurgião Dr. José Afonso Sallet, os produtos ajudam, mas não podem ser vistos como a única solução. É importante ficar atento aos sinais que o corpo dá quando tem algo de errado.
Muitas vezes, quando o paciente chega ao consultório, já passou por diversas tentativas de emagrecimento. Por isso, é importante olhar para aquilo que acontece antes: o que ele come diariamente, quanto se movimenta, quanto tempo permanece diante das telas, como dorme, como está sua saúde emocional e até como funciona o ambiente familiar
Dr. José Afonso Sallet, especialista em emagrecimento e cirurgia bariátrica e fundador do Instituto de Medicina Sallet
Segundo a OMS, a alimentação e a atividade física não são os únicos fatores associados à obesidade. O olhar com cuidado para doença também envolve analisar fatores ligados ao ambiente em que as pessoas vivem, à disponibilidade de alimentos saudáveis, às condições socioeconômicas e aos fatores psicossociais.
O acompanhamento médico é o mais importante neste processo. Em casos relacionados à ansiedade, transtornos alimentares e baixa autoestima, o ideal é alinhar o tratamento para obesidade em conjunto com o tratamento de saúde mental.
Apesar das abordagens terem evoluído e auxiliarem os pacientes, para o Dr. Sallet, atenção com o bem-estar continua sendo uma das ferramentas mais importantes para a prevenção da obesidade.
“Prevenção não significa estabelecer uma rotina rígida ou transformar o peso corporal em uma preocupação constante. O objetivo é criar um ambiente que favoreça escolhas mais saudáveis, com mais movimento, alimentação variada, menos tempo sedentário, sono adequado e atenção à saúde mental”, conclui o especialista.
Obesidade cresce 118% no Brasil, segundo Ministério da Saúde | CNN 360º
O excesso de peso e a obesidade na infância e adolescência afetam negativamente o bem-estar físico, mental e social e devem ser identificados e tratados o quanto antes. Eles estão associados ao estigma, discriminação, bullying, pior qualidade de vida e desempenho escolar prejudicado.
Segundo a OMS, se não houver intervenção, a obesidade frequentemente persiste na vida adulta, aumentando o risco e acelerando o aparecimento de doenças, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.