Como é a vida de Nicolás Maduro e Cilia Flores, presos pelos EUA há 9 meses
- 10/10/2026 12:00
- Redação
O ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos há mais de nove meses em Nova York, para onde foram levados em 3 de janeiro após serem capturados em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
Durante sua primeira audiência perante a justiça americana, ambos foram acusados de narcoterrorismo, tráfico de drogas e crimes relacionados a armas — acusações que ambos rejeitam e pelas quais aguardam um julgamento previsto para começar em 1º de junho de 2027.
Esta semana, o governo dos Estados Unidos acrescentou uma nova acusação de suposta tortura contra cidadãos americanos, acusação que o advogado de Maduro rejeitou. O representante de Flores ainda não respondeu às solicitações de comentário da CNN.
Enquanto o processo penal contra o casal avança, sua equipe jurídica trabalha na estratégia de defesa. Os advogados preparam uma moção para pedir o encerramento do caso, argumentando que Maduro e Flores gozavam de imunidade quando foram capturados porque — sustentam eles — ele era chefe de Estado e ela, primeira-dama.
No caso de Flores, também foi solicitado que lhe fosse concedida prisão domiciliar antes do julgamento, mas os promotores dos Estados Unidos se opuseram ao pedido, que foi rejeitado pelo juiz Alvin K. Hellerstein em uma audiência realizada na manhã desta quinta-feira.
Desde que foram transferidos para Nova York, Maduro e Flores estão reclusos no Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn, chamado de MDC, uma prisão federal que já abrigou outros detentos de grande repercussão, como o narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán — condenado à prisão perpétua em 2019 — e o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, que havia sido condenado por tráfico de drogas.
No ano passado, o centro de detenção recebeu indulto do presidente americano Donald Trump.
O MDC é frequentemente descrito como um local com condições muito duras. Em janeiro, o analista jurídico Elie Honig afirmou que esta é “talvez a mais miserável” das prisões que já visitou, por ser escura, superlotada e barulhenta.
Embora as autoridades penitenciárias não tenham divulgado em que parte do MDC Maduro e Flores estão detidos, especialistas e advogados acreditam que ambos tenham sido separados e que, devido ao seu perfil, provavelmente foram alojados em uma área conhecida como SHU (Unidade de Alojamento Especial).
O advogado criminalista Daniel McGuinness disse, em março, que os detentos dessa área enfrentam “o regime mais restritivo da instalação”. Isso significa que passam quase todo o dia sozinhos em suas celas, saindo apenas sob rigorosa supervisão e com comunicação limitada.
Apesar disso, durante o período de detenção, a conta de Maduro no Telegram permaneceu ativa. Os responsáveis pela conta publicam frequentemente mensagens, seja para lembrar há quantos dias Maduro e Flores estão presos ou para abordar outros assuntos, como o duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho.
Naquela ocasião, a conta divulgou um apelo de Maduro à unidade. “Neste momento difícil, conclamamos à união nacional, à serenidade e ao amor concreto: ajudar, proteger, compartilhar, reerguer e reconstruir. A Venezuela enfrentou grandes provações e desta também sairemos fortalecidos, com fé, disciplina e solidariedade. Nossos corações e nossas orações estão com vocês. Que Deus abençoe e proteja a Venezuela!”, dizia a mensagem na época.
Nicolás Maduro Guerra, filho mais velho do presidente deposto, disse em março que seu pai mantinha o “ânimo elevado”, procurava fazer exercícios e estava até mais magro, segundo as conversas telefônicas que tiveram.
No entanto, especialistas e advogados afirmam que são poucas as oportunidades que os detentos do MDC têm para se exercitar e que é provável que a perda de peso de Maduro não se deva tanto à atividade física, mas sim à má qualidade da comida no local — uma questão denunciada há anos.
Na audiência judicial realizada em março — a segunda desde que o casal foi levado para Nova York, em janeiro —, a CNN constatou que Maduro parecia mais magro.
Quatro meses depois, ao comparecer ao tribunal em julho, ele aparentava estar mais recuperado. Também parecia ter cortado o cabelo recentemente; mostrou-se animado e cumprimentou de longe as pessoas presentes na sala.
Até o momento, os advogados não apontaram uma possível deterioração da saúde de Maduro em decorrência do confinamento, mas o fizeram no caso de Flores. De fato, foi nesse argumento que basearam o pedido ao juiz Hellerstein para que ela recebesse o benefício da prisão domiciliar.
Nos documentos apresentados pela equipe jurídica para embasar o pedido, apontou-se que Flores sofre há tempos de problemas cardíacos que, antes de sua prisão em janeiro, conseguia controlar apenas com alguns medicamentos. Segundo os advogados, seu estado de saúde piorou na cela do MDC, razão pela qual deveria ser autorizada a permanecer detida em uma residência particular.
Os promotores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos opuseram-se ao pedido, argumentando que Flores poderia tentar fugir ou ameaçar testemunhas — alegações que seus advogados refutam.
Por fim, após concluir que o risco de fuga de Flores é “grave”, devido aos seus contatos e ao dinheiro em jogo neste julgamento, o juiz decidiu que ela deve permanecer no MDC.
Antes do início do julgamento, previsto para junho do próximo ano, estabeleceu-se um cronograma para que as partes apresentem provas e debatam moções.
Uma delas é a que os advogados do casal planejam apresentar para pedir o encerramento do processo penal contra eles, alegando imunidade legal na condição de chefe de Estado e primeira-dama. A data prevista para a análise dessa moção é 17 de novembro.
No entanto, novos elementos foram acrescentados ao caso.
Promotores do Departamento de Justiça apresentaram novas acusações contra Maduro e Flores por suposta tortura de cidadãos americanos.
Segundo a acusação, cerca de dez cidadãos dos Estados Unidos foram detidos indevidamente em prisões da Venezuela e chegaram a ser torturados com práticas como choques elétricos em várias partes do corpo, espancamentos, asfixia e privação de água e comida.
Os promotores afirmam que esses casos demonstram que Maduro e Flores supostamente lideraram “um sistema de repressão baseado na violência contra opositores políticos, detenções arbitrárias e tortura de detentos, incluindo cidadãos dos Estados Unidos”.