Dor com “vida própria” pode ser um sinal de SII, diz médico a Kalil
- 09/10/2026 21:16
- Redação
Muitos pacientes que sofrem da síndrome do intestino irritável (SII) relatam a persistência de dores e desconfortos abdominais enquanto não apresentam alterações nos exames. A constância do sinal doloroso no cérebro pode gerar uma percepção de dor intermitente, como se ela ganhasse “vida própria”, explicam os médicos. No “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” deste sábado (10), o Dr. Roberto Kalil conversa com especialistas sobre a relação do quadro intestinal com a saúde mental.
Para falar sobre a SII, Dr. Kalil recebe no programa Flavio Steinwurz, gastroenterologista e mestre do Colégio Americano de Gastroenterologia, e Arthur Danila, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, que explicam como o distúrbio funcional associado ao intestino pode ser detectado por sintomas persistentes e a correlação psicológica.
O diagnóstico da SII é feito principalmente pela exclusão de patologias digestivas e orgânicas e pelo momento em que o desconforto aparece. Como exemplo de sintomas excludentes estão sangue nas fezes, que aponta a existência de uma lesão evidente, ou o emagrecimento muito grande, pois mostra um problema de absorção — que também não tem relação com o intestino irritável.
Um ponto a ser investigado é que os sintomas da SII costumam aparecer mais ao longo do dia e cessar quando o paciente está dormindo, dado a sua ligação com estímulos emocionais. “À noite, a pessoa está descansando, dormindo, então o emocional está desligado e ninguém está se alimentando de madrugada. Então os indivíduos que têm intestino irritável não têm sintomas à noite“, explica Arthur.
Outro caráter é a persistência de dores e desconfortos abdominais em pacientes que não apresentam alterações estruturais em seus exames. Segundo Arthur, com o estímulo de dor sendo repetido no cérebro, o sinal passa a se fixar no sistema nervoso central. “Ou seja, mesmo de
noite, a pessoa pode ter a percepção, já como se tivesse vida própria, de dor”, acrescenta o especialista em gastroenterologia. Ele ainda alerta que a queixa de dor deve ser validada pelos médicos e é fundamental no diagnóstico e tratamento de um SII.
Ao ser diagnosticada uma síndrome do intestino irritável, para além do tratamento farmacológico, os especialistas recomendam que tenham um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, especialmente quando há ansiedade ou depressão. A abordagem terapêutica também inclui mudanças de estilo de vida, atividade física, nutrição e, principalmente, a qualidade do sono.
Com o desconforto trazido pelo quadro, que inclui variações de quando um alimento é bem tolerado ou não alguns pacientes tendem a se isolar e evitar compromissos. O medo de certos ingredientes e de mal-estar faz com que pacientes mudem sua rotina social e tenham uma ansiedade antecipatória. “A gente vê quadros em que a pessoa vai a um casamento e leva a marmita porque não sabe o que vai ter”, pontuou Arthur.