Petrobras vê Belém como base de apoio a possível polo petrolífero no Amapá
- 09/10/2026 17:13
- Redação
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o Pará pode desenvolver uma base logística para apoiar as atividades petrolíferas na costa do Amapá e apontou Belém como uma estrutura importante para um eventual avanço dos projetos na Margem Equatorial. Segundo a executiva, a capital paraense está mais preparada para dar suporte às operações que Oiapoque, no Amapá.
Magda falou durante visita a Belém para participar das celebrações do Círio de Nazaré, cuja principal procissão acontece neste domingo (11). A perspectiva de desenvolvimento da estrutura logística acompanha a expectativa da companhia de confirmar um novo polo petrolífero no Norte do país.
“Belém é uma base de apoio importante para qualquer trabalho a ser realizado no Amapá”, afirmou.
A participação da capital paraense no apoio à campanha exploratória já constava do planejamento da Petrobras. Em comunicado divulgado em maio de 2023, a companhia mencionava o porto de Belém como base logística e o aeroporto de Oiapoque como base aérea, além de uma estrutura de atendimento à fauna em Belém.
Nas novas declarações, Magda relacionou a necessidade de desenvolver a logística no Pará à possibilidade de abertura de uma nova fronteira petrolífera no Amapá. A executiva ressaltou, entretanto, que a campanha ainda está em fase exploratória e que os resultados precisam ser aprofundados.
Segundo ela, o esforço realizado até agora vem confirmando as expectativas anteriores da Petrobras. O poço Morpho, no bloco FZA-M-59, alcançou cerca de sete quilômetros de extensão e apresentou petróleo em dois intervalos, um mais raso e outro mais profundo.
A primeira descoberta foi anunciada em agosto. Em 2 de outubro, a companhia informou ter identificado outro intervalo com petróleo no mesmo poço, na Bacia da Foz do Amazonas. As análises do primeiro achado confirmaram a boa qualidade do óleo, enquanto as informações do intervalo mais profundo ainda serão caracterizadas em laboratório.
A identificação de petróleo, contudo, ainda não permite determinar se há volumes recuperáveis e produtividade suficientes para justificar um projeto de produção. A confirmação da viabilidade comercial depende de novas perfurações e da avaliação dos reservatórios.
“Na fase exploratória temos muitas dúvidas”, disse Magda.
A presidente afirmou que a Petrobras dispõe de licença para perfurar outros três poços de delimitação. Essas perfurações ajudam a avaliar a extensão das acumulações e a dimensionar o potencial das descobertas.
Magda também mencionou a previsão de mais oito poços no Amapá. A continuidade da campanha faz parte da aposta da Petrobras em novas fronteiras capazes de contribuir para a reposição de suas reservas.
Segundo a executiva, um eventual polo produtor no Norte poderá ajudar o Brasil a mitigar o futuro declínio da produção do pré-sal. A contribuição dependerá da confirmação do potencial comercial das áreas investigadas.
A previsão apresentada por Magda é concluir as manobras finais em Morpho até o fim de outubro, permitindo a desmobilização da sonda. Depois, o equipamento seguirá para o Rio Grande do Norte. A companhia já havia informado que o próximo destino seria o poço exploratório Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.
Questionada sobre os impactos às comunidades tradicionais, a presidente defendeu a segurança das operações e afirmou que o planejamento da perfuração contempla cuidados detalhados com o meio ambiente. Ela também destacou que a Petrobras tem consciência da atenção internacional sobre a exploração da Margem Equatorial.
Magda disse estar confortável com a segurança da atividade e afirmou que não houve acidentes relacionados à exploração de petróleo no mar.
O histórico da campanha em Morpho, entretanto, inclui um incidente comunicado ao Ibama em 4 de janeiro. Segundo nota do órgão ambiental, houve perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço, com descarga do material para o mar. As operações foram interrompidas e as linhas isoladas para cessar a descarga. O registro se refere a fluido de perfuração.