Porsche vende 16% a menos, mas 911 cresce e supera Taycan nas vendas
- 09/10/2026 15:22
- Redação
A Porsche entregou 178.532 carros em todo o mundo nos nove primeiros meses de 2026, uma queda de 16% em relação ao mesmo período de 2025 (212.509 unidades). O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (9) e repete exatamente a retração registrada no primeiro semestre, já que o terceiro trimestre seguiu a tendência dos seis meses anteriores.
Em um mercado que a fabricante descreve como “persistentemente desafiador”, a empresa diz manter a estratégia de priorizar o valor e o equilíbrio entre oferta e demanda.
O principal destaque é o contraste entre os modelos. Nenhuma outra linha cresceu, mas o 911 avançou 12%, com 42.217 entregas. É quase cinco vezes o volume do elétrico Taycan, que somou 8.699 unidades e recuou 31%.
A demanda pelo esportivo segue forte. Segundo a Porsche, as versões mais exclusivas e de alto desempenho (GTS, Turbo e GT) responderam por parcela significativa das vendas em todas as linhas.
“Esta alta participação das nossas versões de topo, em especial na gama 911, mostra o apelo excepcional da nossa marca”, afirmou Matthias Becker, membro do conselho de Vendas e Marketing da Porsche.
“Nossos clientes escolhem deliberadamente as versões mais exclusivas e emocionantes dos nossos esportivos. Isso reforça nossa posição única, permitindo atender tanto o segmento premium esportivo quanto o de luxo esportivo”, completa o conselheiro.
Com 59.586 entregas, o Cayenne segue como a linha mais vendida da marca, com queda de apenas 2%. Parte do resultado vem da versão totalmente elétrica, lançada no verão do hemisfério norte, que já tem 7.002 unidades entregues.
Caso a demanda pelo Cayenne elétrico se mantiver, o modelo pode fechar o ano com crescimento. Porém, algo para se lembrar é que o Macan elétrico também teve um pico de procura no lançamento, mas o interesse diminuiu a ponto de a versão a combustão chegar a vender mais. Portanto, os futuros próximo e distante são um tanto imprevisíveis.
O Macan somou 51.025 entregas, queda de 21%. Desse total, 23.029 foram da versão elétrica, e 27.996, da a combustão, cuja produção terminou no verão de 2026. A nova geração a combustão já está em desenvolvimento, porém deve chegar só no fim de 2028.
A família 718 Boxster e Cayman teve o pior desempenho, com 3.291 unidades e queda de 79%. A produção dos esportivos terminou em outubro do ano passado, e as entregas atuais são de estoques. Os sucessores elétricos ainda não estão à venda, porém os vazamentos de testes são quase semanais.
O sedan Panamera ainda tem que enfrentar a caída natural de vendas de todos os sedans ao redor do mundo, mesmo com sua dramática suspensão PASM, e teve 13.714 entregas, queda de 35%.
Veja o desempenho por linha:
Nenhuma das regiões cresceu. A América do Norte segue como maior mercado, com 56.088 carros entregues, mas teve queda de 13%, atribuída principalmente ao fim da produção do 718 e ao forte desempenho do Macan elétrico no ano anterior.
Na Europa (tirando a Alemanha), foram 44.949 entregas (-11%), e na Alemanha, 20.954 (-7%). Nos mercados emergentes e overseas, as 35.048 entregas representam queda de 19%, em parte pela falta de produtos disponíveis, como o 718 e o Macan a combustão.
Já na China, a queda é a mais acentuada: 21.493 carros, 33% a menos, em um mercado que a marca descreve como “desafiador”. Por isso, a Porsche diz manter ali uma estratégia de valor, priorizando o desenvolvimento da marca no longo prazo sobre metas de volume no curto prazo.
A Porsche afirma que seguirá com a política de “valor acima de volume”, apresentada na estratégia “Sportwagenschmiede ‘35”, exposta no Capital Markets Day.
“Nosso foco está em esportivos altamente desejáveis, derivados atraentes e na expansão contínua da nossa oferta de personalização. Estamos avançando bem nesse caminho”, disse Becker.
Esta nova estratégia e plano de virada da marca passa por corte de empregos, um novo superesportivo e aumento de preços para lucrar mais vendendo menos carros.
Por enquanto, a Porsche evita repetir o erro de abandonar cedo demais os modelos a combustão na esperança de que os elétricos tivessem a mesma aceitação. O Cayenne, por exemplo, continuará sendo vendido com motor a combustão ao lado do elétrico. A montadora já disse não ter planos de lançar um 911 totalmente elétrico.