Ela mandou buscar os patins do outro lado do mundo, e mesmo acordando às 4h para tratar o casco de 1 mil vacas, nas folgas, foi vice-campeã nacional
- 09/10/2026 08:02
- Redação
Em julho deste ano, a argentina Manuela Maggio, de 30 anos, conquistou a medalha de prata no campeonato nacional de patinação artística da Nova Zelândia, na categoria dança.
O resultado esportivo ocorreu de forma paralela à sua rotina de trabalho rural na região de Canterbury, onde atua no manejo de um rebanho com 1.050 vacas leiteiras e no tratamento de patologias nos cascos dos animais.
Nascida em Pehuajó, na província de Buenos Aires, Manuela possui formação como técnica em produção agropecuária e mudou-se para a Nova Zelândia em 2022 acompanhada do marido, o engenheiro agrônomo Javier Rosso Alba. O casal iniciou as atividades no país como assistentes de fazenda na Willesden Farms, propriedade de 300 hectares localizada a cerca de 45 minutos de Christchurch.
Após três anos de atuação, ambos progrediram para a função de herd managers (gestores de rebanho). Durante a época de nascimento dos bezerros, a jornada diária da profissional começa às 4h da manhã e inclui a condução de ordenhas rotativas em estruturas de 50 posições.
Além da gestão geral, ela especializou-se no cuidado das patas dos bovinos, atividade que passou a exercer após realizar cursos técnicos de capacitação.
Com o objetivo de praticar uma atividade física fora do ambiente agrícola, Manuela decidiu retomar a patinação artística, modalidade que praticava desde os três anos de idade e que havia interrompido ao mudar de país. Para viabilizar a rotina de treinos nos dias de folga, solicitou aos sogros que transportassem da Argentina o seu par de patins, equipamento com peso aproximado de cinco quilos.
A preparação para a competição envolveu auxílio presencial de uma técnica neozelandesa e instrução remota de sua antiga professora argentina para a montagem da coreografia. Na apresentação oficial, a patinadora executou os movimentos ao som da música ‘Se dice de mí’, tango interpretado por Tita Merello.
Após o segundo lugar no torneio nacional, a atleta projeta expandir a participação em competições para a modalidade livre, que inclui saltos e giros. Atualmente com residência temporária, Manuela e o marido avaliam a possibilidade de solicitar a permanência definitiva na Nova Zelândia, enquanto mantêm a rotina dividida entre o setor agropecuário e os treinos na pista.
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