Máquinas agrícolas usadas ganham espaço enquanto vendas de zero km recuam
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Máquinas agrícolas usadas ganham espaço enquanto vendas de zero km recuam

  • 09/10/2026 05:00
  • Redação

O mercado de máquinas agrícolas usadas está crescendo enquanto o produtor rural reduz a compra de equipamentos novos. Na plataforma da Sold Leilões, por exemplo, as ofertas de máquinas e equipamentos agrícolas aumentaram 45% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

O movimento ocorre em sentido contrário ao observado na indústria de máquinas novas. Segundo dados da Abimaq, associação que representa os fabricantes, as vendas do segmento somaram R$ 36,3 bilhões nos oito primeiros meses do ano, queda de 22,4% na comparação anual. Em agosto, a receita líquida foi de R$ 4,79 bilhões, recuo de 22,8% em relação ao mesmo mês de 2025.

A Abimaq atribui o desempenho à demanda interna mais fraca, ao endividamento dos produtores e aos efeitos do câmbio sobre os preços das commodities, fatores que reduzem a capacidade de investimento e adiam a renovação do parque de máquinas.

Na Sold, o movimento aparece dos dois lados do mercado. Segundo levantamento fornecido pela empresa à CNN Brasil, a procura pela categoria agro aumentou 83% entre janeiro e agosto, enquanto o número de compradores cresceu 60%. O valor geral de vendas da categoria subiu 9%, de R$ 48,5 milhões para R$ 52,8 milhões.

Os dados são da própria plataforma e, portanto, não representam todo o mercado brasileiro de máquinas usadas, mas indicam uma mudança no comportamento de compra dentro desse canal.

Para Ivo Mello, head de agronegócio da Sold Leilões, a combinação de juros elevados, restrição de crédito e incerteza climática está levando produtores a procurar alternativas de menor desembolso. “O produtor rural está mais estratégico na hora de investir. O mercado de usados está cada vez mais fazendo parte do planejamento financeiro”, afirma.

Grandes grupos colocam máquinas no mercado

O aumento da oferta também tem relação com o movimento de grandes empresas do agronegócio. Segundo o executivo, usinas e grandes grupos agrícolas estão entre os principais vendedores de equipamentos usados, incluindo tratores, colheitadeiras, plantadeiras e caminhões. Ele cita entre os vendedores grupos como Amaggi, Atvos, BP e LDC (Louis Dreyfus Company).

Também está atrelado a uma mudança na gestão das frotas. Parte das empresas passou a investir mais em manutenção preventiva e registro do histórico dos equipamentos, o que pode aumentar a atratividade das máquinas quando elas chegam ao mercado secundário, aponta Mello.

Mas nem todo equipamento usado está nas mesmas condições. No mercado de máquinas agrícolas, idade e modelo não são suficientes para determinar o preço. “Uma colheitadeira pode ter valor bastante diferente de outra do mesmo modelo dependendo do número de horas trabalhadas, do histórico de manutenção, das condições de conservação e da necessidade de reparos”, diz o executivo.

Por isso, a comparação é mais complexa do que no mercado de automóveis, que conta com referências como a tabela Fipe.

Segundo levantamento da Sold, máquinas seminovas ou equipamentos que precisam de revisão podem, em alguns casos, chegar a descontos de 40% a 60% em relação ao preço de uma máquina nova equivalente.

Mas esse desconto não deve ser analisado isoladamente. O comprador precisa considerar também transporte, peças, manutenção e eventuais reparos antes de colocar o equipamento novamente em operação.

Pequenos e médios produtores são maioria entre compradores

O perfil dos compradores ajuda a explicar a expansão desse mercado. Mais de 60% dos compradores são pessoas físicas, em sua maioria consumidores finais e pequenos e médios produtores. Parte deles tem CPF vinculado a empresas rurais. As pessoas jurídicas representam entre 35% e 40% dos compradores, incluindo empresas e revendedores.

Entre 30% a 40% dos compradores estão em um Estado diferente daquele onde o equipamento está localizado. A participação de compradores de fora do Estado tende a aumentar nos ativos de maior valor. A plataforma também recebe compradores de outros países da América do Sul, como Argentina, Chile, Peru e Colômbia.

Mercado secundário ganha importância em um ciclo de baixa

O avanço dos usados acontece enquanto o mercado de máquinas novas enfrenta dois anos de retração. Somente em agosto, foram vendidos 3.324 tratores para usuários finais, 25,5% menos que um ano antes. No caso das colheitadeiras, as vendas ao usuário final caíram 43,1%, para 112 unidades.

A própria Abimaq já apontava, em setembro, que a política monetária restritiva e o aumento do endividamento estavam pressionando a demanda por máquinas e elevando o custo de captação da indústria.

R$ 5 bilhões em ativos

A Sold afirma que transaciona aproximadamente 150 mil ativos por ano, considerando todas as categorias disponíveis na plataforma, de máquinas e veículos a peças, sucatas e outros materiais. O volume financeiro anual chega a cerca de R$ 5 bilhões, segundo a empresa.

O tíquete médio geral é de aproximadamente R$ 35 mil, mas os equipamentos agrícolas têm valores muito superiores.

A companhia também vem ampliando o modelo de venda direta, criado pela empresa a partir de 2022. Ainda assim, esse formato representa cerca de 10% do volume em relação aos leilões.

  • Fonte: CNN Brasil
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