Prêmio Nobel da Paz 2026: Relembre os vencedores dos últimos 10 anos
- 09/10/2026 03:30
- Redação
O Prêmio Nobel da Paz de 2026 deve ser anunciado nesta sexta-feira (9). A premiação reconhece indivíduos ou organizações que tenham contribuído de forma significativa para a promoção da paz e da cooperação entre as nações.
A cerimônia é realizada anualmente em Oslo, na Noruega. O anúncio do vencedor é feito em uma cerimônia transmitida ao vivo pelo site oficial da instituição.
Todos os anos, centenas de nomes são indicados, entre pessoas e instituições, mas a lista completa dos indicados permanece em sigilo por 50 anos, conforme as regras estabelecidas pela Fundação Nobel.
Embora o processo seja mantido em segredo, analistas especulam sobre possíveis vencedores, baseando-se em acontecimentos recentes e nos temas que costumam orientar as decisões do comitê, como direitos humanos, diplomacia internacional, liberdade de imprensa e meio ambiente.
Historicamente, o comitê costuma valorizar ações simbólicas e esforços de cooperação global, premiando desde líderes políticos e ativistas até organizações humanitárias e ambientais.
De 2016 a 2025, o Prêmio Nobel da Paz reconheceu pessoas e organizações por iniciativas relacionadas à democracia, aos direitos humanos, à liberdade de expressão, ao combate à fome e ao desarmamento nuclear, entre outras causas.
A retrospectiva reúne os dez últimos vencedores da premiação e os motivos apresentados pela organização para cada escolha.
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado recebeu o Nobel da Paz de 2025 por sua atuação em defesa da democracia na Venezuela e por sua luta por uma transição política pacífica no país.
Segundo a organização, o prêmio foi concedido “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
A organização japonesa Nihon Hidankyo, formada por sobreviventes dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, foi reconhecida por seus esforços contra as armas nucleares e por divulgar testemunhos sobre os efeitos desses armamentos.
A justificativa do prêmio foi “pelos seus esforços para alcançar um mundo livre de armas nucleares e por demonstrar, através de testemunhos, que as armas nucleares nunca mais devem ser usadas”.
A ativista iraniana Narges Mohammadi recebeu o prêmio por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela defesa dos direitos humanos e da liberdade.
A organização justificou a escolha “pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela sua luta para promover os direitos humanos e a liberdade para todos”.
O Nobel da Paz de 2022 foi concedido ao ativista bielorrusso Ales Bialiatski, à organização russa Memorial e ao Centro para as Liberdades Civis, da Ucrânia.
Os três foram reconhecidos pelo trabalho em defesa dos direitos fundamentais, pela possibilidade de criticar o poder e pela documentação de crimes de guerra e violações de direitos humanos.
Segundo a organização, “os laureados com o Prêmio Nobel da Paz representam a sociedade civil em seus países de origem. Há muitos anos, eles promovem o direito de criticar o poder e proteger os direitos fundamentais dos cidadãos. Eles fizeram um esforço notável para documentar crimes de guerra, violações dos direitos humanos e abuso de poder. Juntos, eles demonstram a importância da sociedade civil para a paz e a democracia”.
A jornalista filipina Maria Ressa e o jornalista russo Dmitry Muratov foram premiados por seus esforços em defesa da liberdade de expressão, considerada pela organização uma condição fundamental para a democracia e a paz duradoura.
A justificativa foi “pelos seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão, que é uma condição essencial para a democracia e a paz duradoura”.
O PMA (Programa Mundial de Alimentos), agência da ONU (Organização das Nações Unidas), recebeu o Nobel da Paz de 2020 por seu trabalho no combate à fome, especialmente em regiões afetadas por conflitos.
A organização destacou que a entidade contribui para melhorar as condições de paz e atua para impedir que a fome seja usada como instrumento de guerra.
O prêmio foi concedido “pelos seus esforços no combate à fome, pela sua contribuição para a melhoria das condições de paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como força motriz nos esforços para impedir o uso da fome como arma de guerra e conflito”.
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, foi reconhecido por seus esforços em favor da paz e da cooperação internacional, especialmente pela iniciativa de resolver o conflito fronteiriço com a vizinha Eritreia.
Segundo a organização, o prêmio foi concedido “pelos seus esforços para alcançar a paz e a cooperação internacional, e em particular pela sua iniciativa decisiva para resolver o conflito fronteiriço com a vizinha Eritreia”.
O médico congolês Denis Mukwege e a ativista iraquiana Nadia Murad receberam o Nobel da Paz de 2018 por seus esforços para combater o uso da violência sexual como arma em guerras e conflitos armados.
A justificativa da organização foi “pelos seus esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra e conflito armado”.
A ICAN (Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares) foi premiada por chamar a atenção para os efeitos humanitários catastróficos do uso de armas nucleares e por sua atuação em favor de um tratado que proibisse esses armamentos.
A organização justificou a escolha “pelo seu trabalho em chamar a atenção para as consequências humanitárias catastróficas de qualquer uso de armas nucleares e pelos seus esforços pioneiros para alcançar uma proibição de tais armas com base em tratado”.
O então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, recebeu o Nobel da Paz de 2016 por seus esforços para encerrar a guerra civil que atingia o país havia mais de cinco décadas.
Segundo a organização, o prêmio foi concedido “pelos seus esforços resolutos para pôr fim à guerra civil que assolava o país há mais de 50 anos”.
Na edição de 2026, cerca de 287 candidatos foram indicados, incluindo 208 pessoas e 79 organizações. A lista é mantida em sigilo por 50 anos, guardada em um cofre no subsolo do Instituto Nobel Norueguês, em Oslo.
Ainda assim, os responsáveis pelas indicações, que são milhares em todo o mundo, podem escolher revelar seus indicados.
Entre os nomes possíveis estão o papa Leão, o Tribunal Penal Internacional, a Corte Internacional de Justiça e Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados.
Também aparecem como possibilidades as Emergency Response Rooms, uma rede sudanesa de grupos comunitários que presta ajuda durante a guerra civil, e a organização não governamental Save the Children, pelo trabalho de assistência a crianças em áreas de conflito.
Entre os candidatos considerados menos prováveis está a Estação Espacial Internacional, apontada como exemplo do que países podem alcançar mesmo quando estão em lados opostos. Estados Unidos, Rússia e Europa trabalham juntos na estação.
O Comitê Norueguês do Nobel é formado por cinco pessoas indicadas pelo Parlamento da Noruega. Os integrantes costumam, mas não necessariamente, ser políticos aposentados.
O atual comitê é liderado pelo chefe da seção norueguesa do PEN Internacional, organização que defende a liberdade de expressão. Outro membro é um acadêmico.
Todos são indicados por partidos políticos noruegueses, e suas nomeações refletem a distribuição de forças no Parlamento da Noruega.
A resposta mais curta é: quem se encaixar na descrição estabelecida no testamento de 1895 do industrial sueco Alfred Nobel.
O documento determina que o prêmio deve ser concedido à pessoa “que tenha feito mais ou melhor para promover a fraternidade entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos permanentes e a realização e promoção de congressos de paz”.
A resposta mais complexa é que o prêmio “precisa ser colocado no contexto atual”, segundo Kristian Berg Harpviken, secretário do comitê responsável pela premiação, que prepara o trabalho para o órgão. Ele participa das deliberações, mas não vota.
Milhares de pessoas em todo o mundo podem apresentar nomes: integrantes de governos e parlamentos; chefes de Estado em exercício; reitores e professores universitários das áreas de história, ciências sociais, direito e filosofia; além de antigos vencedores do Nobel da Paz, entre outros.
O prazo para indicações terminou em 31 de janeiro. Os integrantes do comitê também podem fazer suas próprias indicações, desde que até a primeira reunião do grupo em fevereiro.
O comitê analisa todas as indicações e, depois, estabelece uma lista de finalistas. Cada candidato é então avaliado e examinado por um grupo de assessores permanentes e outros especialistas.
O comitê se reúne aproximadamente uma vez por mês para discutir as indicações. A decisão costuma ser tomada em agosto ou setembro, segundo Harpviken.
O grupo busca chegar a um consenso sobre a escolha. Caso isso não seja possível, a decisão é tomada por votação da maioria.
A última vez que um integrante deixou o comitê em protesto foi em 1994, quando o líder palestino Yasser Arafat recebeu o prêmio ao lado dos israelenses Shimon Peres e Yitzhak Rabin.
O vencedor recebe uma medalha de ouro, um diploma, 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões) e atenção global imediata.