Demitida aos 59 anos, ela decidiu recomeçar na Antártida, onde divide o tempo entre a vida noturna e o trabalho sob neve constante
- 07/10/2026 09:05
- Redação
May Lee era gerente de marketing e comunicação em uma gigante multinacional do setor de tecnologia. Ela trabalhou para a empresa por três décadas até que, por uma onda de demissões em massa em 2025, ficou desempregada.
Aos 59 anos, ela poderia tentar uma recolocação profissional na mesma área – mas, como contou à Business Insider, decidiu “experimentar algo completamente novo”.
Em seu relato publicado neste mês, Lee compartilhou por que decidiu aceitar um emprego temporário na Antártida, como acabou se apaixonando pela rotina num local eternamente congelado, e seus planos para voltar em um novo cargo em 2027.
A Estação McMurdo é a maior base científica do continente mais ao sul do planeta. Ela funciona como centro logístico e de estudos para os Estados Unidos e opera de forma sazonal, com mais trabalhadores no verão e um contingente reduzido no inverno.
Essa diferença ocorre porque as temperaturas, que chegam a 8 °C nos meses mais quentes, ficam até 50 °C abaixo de zero durante seis meses por ano. Ao mesmo tempo, a população local precisa lidar com até quatro meses de noite perpétua e outros quatro em que o sol nunca se põe.
As condições climáticas extremas fazem com que muitos dos contratos em McMurdo sejam temporários. Por isso, o trabalho de May Lee na Antártida dura apenas cinco meses por ano.
Filha de pai taiwanês, nascida no Tennessee e formada em ciência da computação, Lee começou no mercado de trabalho como engenheira de software. Ela escalou a pirâmide da empresa até chegar à gerência de marketing e comunicação. Mas quando decidiu trabalhar na base científica da Antártida, seu papel era bem diferente.
Como técnica de suprimentos de tecnologia e comunicação em McMurdo, ela acordava às 6h30 e começava a trabalhar uma hora depois, de segunda a sábado. Ela andava a pé sobre solo congelado coberto por grossas camadas de neve, já que veículos costumam ser reservados para exploração e transporte de carga.
Seu expediente consistia em distribuir os equipamentos necessários para cada setor, fazer inventário e receber os suprimentos que chegavam em aeronaves até a base. Ela passou a operar uma empilhadeira – uma função muito distante de sua experiência como profissional de tecnologia e marketing.
May faz suas refeições na cafeteria da estação. Por alguns meses, os trabalhadores têm acesso a comida fresca, como ovos, frutas e hortaliças trazidas por via aérea dos Estados Unidos. Quando o clima esfria, a base da alimentação passa a ser suprimentos congelados.
A Estação McMurdo iluminada durante o amanhecer • Reprodução/Cool AntarcticaO expediente acaba às 17h30, mas a população raramente se recolhe neste horário. Lee conta que a vida noturna na Antártida é agitada, com festivais, aulas de arte manual, palestras de ciência e até baladas. Nos meses em que o Sol não se põe, fica mais fácil sair de uma festa às 2h da madrugada e ir para a casa à luz do dia.
No tempo livre, a americana começou a trabalhar como voluntária em uma biblioteca, onde virou locutora e produtora de seu próprio programa de rádio. No “Ms. Purple!! 80’s on the 8”, na Ice Radio, ela toca hits da década de 1980 para embalar as noites frias.
Este período como voluntária ajudou May a conseguir seu segundo cargo na Estação McMurdo, para o qual ela está se preparando atualmente. A ex-engenheira de software vai trabalhar como engenheira de transmissão, cuidando dos equipamentos e sistemas de rádio e televisão.