Loja de “Inconveniência”: como um antigo mercado trocou a eficiência para vender o puro absurdo
- 06/10/2026 07:58
- Redação
Uma loja de conveniência costuma ser pensada para resolver pequenos problemas rapidamente. Em Seattle, nos Estados Unidos, um estabelecimento decidiu seguir a lógica contrária. É possível encontrar cabos USB vendidos já emaranhados, uma vela que perde sua utilidade como régua conforme queima e até um telefone que, ao ser atendido, toca sempre a mesma música.
Apesar das prateleiras, do balcão e da aparência de comércio, a Inconvenience Store, ou “Loja de Inconveniência”, é uma instalação artística montada no espaço de uma antiga unidade da 7-Eleven.
Criado pelas artistas Lilia Deering e Mary Anne Carter, o projeto reúne trabalhos de mais de 70 artistas, principalmente de Seattle, e transforma objetos familiares em versões pouco práticas, inesperadas ou simplesmente absurdas.
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A brincadeira começa justamente no contraste com o endereço escolhido. O espaço preserva elementos da antiga loja, como prateleiras, refrigeradores, caixa e balcão de alimentos, mas agora eles são ocupados por obras de arte distribuídas em 14 departamentos.
Entre as criações espalhadas pelas prateleiras estão cabos USB vendidos já emaranhados, bolsas produzidas com embalagens de salgadinhos e velas de cera de abelha em formato de ovo. Há ainda chaveiros que reproduzem produtos conhecidos das prateleiras americanas, como biscoitos e doces.
Outras obras levam a inconveniência um pouco mais longe. Uma delas combina uma vela com uma régua funcional. Enquanto permanece intacta, a peça pode ser usada para medir, mas perde comprimento à medida que é acesa.
Até um telefone fixo participa da brincadeira. Apresentado como um “iPhone de linha fixa”, o aparelho toca normalmente, mas, ao ser atendido, reproduz Vertigo, da banda U2. As criações não são apenas parte do cenário e podem ser compradas pelos visitantes, com preços que variam de US$ 1 a US$ 10 mil entre os 14 departamentos que compõem a instalação.
A escolha do endereço reforça a proposta. Instalada em uma antiga 7-Eleven no centro de Seattle, a Inconvenience Store preserva elementos do comércio original, mas substitui os produtos industrializados por peças produzidas individualmente por artistas. Para Deering e Carter, a própria criação artística pode contrariar uma sociedade orientada pela eficiência e pela produção em massa.
O projeto também busca aproximar a arte de quem não costuma frequentar galerias. As obras aparecem em um ambiente familiar, com preços visíveis e possibilidade de compra. Até o antigo refrigerador foi reaproveitado como uma pequena galeria, enquanto outras áreas receberam instalações interativas.
Aberta em 19 de setembro de 2026, a Inconvenience Store funciona no espaço artístico Parnassus e tem entrada gratuita. A programação prevê a instalação até 27 de junho de 2027. A ironia está justamente no endereço escolhido, onde antes funcionava um comércio pensado para facilitar compras rápidas, a falta de praticidade agora faz parte da experiência.