Com anilha desde 1956, ave mais velha conhecida na natureza ainda retorna ao mesmo lugar quase 70 anos depois
- 05/10/2026 20:21
- Redação
Uma pequena anilha colocada na pata de uma ave em 1956 permitiu acompanhar uma história que atravessaria quase sete décadas. Wisdom, uma albatroz-de-laysan, continua retornando ao atol de Midway, no Pacífico, e hoje é reconhecida como a ave selvagem conhecida mais velha do mundo.
A fêmea tem aproximadamente 75 anos, segundo o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos. Ela foi vista novamente em Midway em novembro de 2025 e continuou fazendo aparições no atol ao longo da temporada seguinte.
A idade exata não é conhecida. Quando Wisdom foi anilhada pelo ornitólogo Chandler Robbins, em dezembro de 1956, ela já havia colocado um ovo. Como albatrozes-de-laysan não costumam se reproduzir antes dos cinco anos, pesquisadores conseguiram estabelecer uma idade mínima para a ave.
Wisdom passou grande parte de sua longa vida sobre o oceano, mas seus retornos a Midway permitiram que pesquisadores continuassem identificando a mesma ave ao longo das décadas.
Nesse período, estima-se que ela tenha produzido entre 50 e 60 ovos e cerca de 30 filhotes que chegaram à fase de voo. Um dos episódios mais recentes ocorreu na temporada de 2024/2025, quando Wisdom voltou a colocar um ovo. O filhote nasceu no início de 2025.
Na temporada seguinte, ela retornou novamente a Midway, mas não colocou outro ovo. Isso não significa, necessariamente, que Wisdom tenha deixado de se reproduzir. Albatrozes-de-laysan podem passar temporadas sem colocar ovos, e criar um filhote exige meses de investimento dos adultos.
O próprio histórico de Wisdom chama atenção quando comparado aos demais animais monitorados em Midway. Em 2024, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos informou que o segundo albatroz mais velho conhecido no atol tinha pouco mais de 45 anos, apesar de milhares dessas aves terem sido anilhadas na região desde a década de 1960.
A história de Wisdom só pode ser reconstruída porque a ave continuou sendo identificada ao longo dos anos. O anilhamento permite reconhecer indivíduos e reunir informações sobre sobrevivência, deslocamentos e reprodução, mesmo quando os animais passam longos períodos longe de áreas habitadas.
O caso também ajuda a dimensionar quanto tempo um albatroz pode permanecer vivo na natureza. Essas aves passam grande parte da existência no mar e retornam a áreas específicas para reprodução, o que possibilita reencontrar indivíduos identificados anos ou até décadas antes.
Midway tem papel central nesse acompanhamento. O atol abriga uma das maiores concentrações de albatrozes do planeta e registrou 589.623 ninhos de albatrozes-de-laysan na temporada de 2025/2026, segundo o serviço norte-americano.
Entre centenas de milhares de aves, uma pequena identificação continua distinguindo Wisdom. A anilha colocada em 1956 permitiu que pesquisadores reconhecessem a mesma albatroz quase sete décadas depois, transformando uma ave que poderia passar despercebida entre tantas outras em um dos registros de longevidade mais conhecidos da vida selvagem.