Veja quais caminhos as campanhas de Flávio e Lula devem seguir no 2° turno
- 05/10/2026 16:20
- Redação
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já traçam os caminhos para o segundo turno das Eleições 2026. No dia seguinte ao primeiro turno, as duas campanhas realizaram reuniões para avaliar os resultados e definir os próximos passos, em um cenário que surpreendeu ambos os lados: Flávio saiu na liderança com uma diferença de aproximadamente 2 pontos percentuais sobre Lula.
O resultado inverteu as expectativas da campanha petista, que contava com Lula saindo à frente no primeiro turno. Segundo apurações da analista de Política da CNN Isabel Mega, o ambiente no hotel onde o PT (Partido dos Trabalhadores) acompanhou a apuração foi de “bastante preocupação”, e um aliado de Lula resumiu o desfecho como “uma pancada”.
Segundo apuração da âncora da CNN Débora Bergamasco, durante o CNN 360°, a campanha de Flávio Bolsonaro decidiu intensificar a estratégia de presença nas ruas durante o segundo turno.
A avaliação interna é de que as cidades onde Flávio realizou carreatas, passeatas e motociatas registraram um crescimento expressivo de votos. Arapiraca, em Alagoas, e Montes Claros, em Minas Gerais, foram citadas como exemplos dessa dinâmica.
A tendência é que o candidato reduza a participação em entrevistas e podcasts para concentrar esforços em visitas a cidades-chave, com o objetivo de energizar apoiadores e alcançar eleitores indecisos.
Além disso, segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau, a campanha planeja reunir candidatos eleitos — governadores, senadores e os principais puxadores de voto para a Câmara dos Deputados, com destaque para Nikolas Ferreira (PL-MG) — para uma grande foto que transmita uma mensagem de força política.
Segundo a apuração, a ideia é sinalizar ao mercado, à opinião pública e ao chamado centrão que, em caso de vitória de Lula, o governo enfrentaria dificuldades para governar diante de um Congresso majoritariamente de direita.
O evento deve contar ainda com a participação de Romeu Zema (Novo), que até o momento declarou apenas que vota contra o PT. Segundo apurações, o lado de Zema prefere aguardar o momento certo para formalizar o apoio, de modo a valorizar politicamente o gesto.
Do lado petista, segundo Venceslau, a campanha de Lula avalia que o único caminho viável para a virada é conquistar o eleitor de centro. Na visão dos petistas, o eleitorado de Romeu Zema, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) é majoritariamente antipetista e já está consolidado.
O foco, portanto, recai sobre o eleitor de Augusto Cury (Avante), considerado mais aberto a uma abordagem do PT. A campanha ainda pretende tentar um diálogo com o próprio Augusto Cury, visto como o único dos candidatos com quem seria possível manter algum tipo de interlocução neste momento.
Segundo Isabel Mega, a estratégia petista também passa por intensificar os ataques diretos a Flávio Bolsonaro, algo que, segundo relatos, já foi sentido no calor da apuração do primeiro turno.
A campanha deve apostar na comparação de trajetórias e biografias entre os dois candidatos, explorando o passado de Flávio como argumento central, apontou Isabel Mega. Lula chegou a mencionar esse tema em seu discurso após o resultado.
Além disso, a proposta do fim da escala de trabalho 6 por 1 — cuja tramitação estava prevista para começar no dia seguinte ao primeiro turno — é apontada como uma das principais apostas do PT para mobilizar eleitores no segundo turno.
O cenário coloca Lula diante de dois desafios históricos: nenhum candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno venceu o segundo turno desde 1989, e Flávio venceu em Minas Gerais — estado que, tradicionalmente, acompanha o resultado final da disputa presidencial.
Segundo Isabel Mega, aliados de Lula já apontam que o problema passa pela comunicação da campanha e pela dificuldade de apresentar propostas de forma propositiva. Mudanças na equipe de comunicação não estão descartadas, e a aposta na comparação de biografias entre os dois candidatos deve ganhar ainda mais espaço na reta final.
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