Caso Gisele: interrogatório de tenente-coronel ocorre nesta segunda (5)
- 05/10/2026 07:24
- Redação
Após ser adiado três vezes, o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelos crimes de feminicídio, cometido contra a esposa, a policial Gisele Alves Santana, e fraude processual, por ter interferido na cena do crime e no curso do caso, deve ocorrer nesta segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
De acordo com Eugenio Malavasi, um dos advogados que compõe a defesa de tenente-coronel, a sessão, que será guiada pelo exercício de autodefesa, por parte de Rosa Neto, deve iniciar às 13h e não há previsão de término.
O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) havia adiado o interrogatório no dia 4 de setembro após a defesa do réu solicitar a junção de auto diligências complementares ao inquérito. A oitiva de Geraldo estava marcada para julho e foi remarcada pela primeira vez para agosto.
O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona Norte de São Paulo, desde março deste ano.
Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, o qual a CNN Brasil teve acesso na sexta-feira (3), concluiu que a soldado Gisele não cometeu suicídio. O documento destaca a “impossibilidade de que Gisele tenha atirado contra a própria cabeça”.
O segundo laudo manteve o mesmo resultado que a documentação anterior e contradiz a versão dos fatos apresentados pelo tenente-coronel. Entre as conclusões, há a incapacidade de Gisele acessar a arma usada no crime que estava em guardada em um guarda-roupa maior que a mulher.
Caso Gisele: Justiça marca audiências e interrogatório de tenente-coronel | CNN NOVO DIA
Além disso, foi comprovado, a partir de uma análise, que não era possível visualizar do banheiro o local onde a soldado suspostamente teria cometido o suicídio, contradizendo o tenente-coronel que disse ter visto a esposa tirando a própria vida.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento, no Brás, em 18 de fevereiro. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação passou a apurar a hipótese de feminicídio.
Segundo a acusação, o tenente-coronel teria atirado contra a companheira durante uma discussão e depois alterado a cena para simular um suicídio. Laudos periciais apontaram inconsistências na versão apresentada pela defesa, segundo o Ministério Público.
O oficial também é acusado de ter tentado eliminar vestígios do crime. A investigação identificou vestígios de sangue nas roupas dele e indícios de que teria tomado banho após o crime.
Geraldo e Gisele estavam juntos há cerca de 4 anos • Reprodução/Redes Sociais
Coversas mostram mensagens como "macho alfa" e "fêmea beta" • Reprodução
Prints revelam "regras de comportamento" que Geraldo exigia de Gisele • Reprodução
Mensagens apontam que Gisele teria se queixado de que Geraldo a "tratava de qualquer jeito" • Reprodução
Mensagens foram trocadas no dia 13 de fevereiro • Reprodução
À época, a reportagem acessou trocas de mensagens entre Geraldo e Gisele as quais ele apresentava comportamentos ciumentos e agressivos.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas