Nobel de Medicina vai para três cientistas por avanço na neurociência
- 05/10/2026 05:44
- Redação
A Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska decidiu conceder conjuntamente o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 a Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel, professores das universidades de Stanford, Humboldt e Würzburg “por suas descobertas sobre canais iônicos controlados por luz e a optogenética.”
Segundo o Cômite, o prêmio de 12 milhões de coroas suecas foi concedido pela contribuição para a optogenética — método que permite mostrar como as células nervosas moldam memórias, sentimentos e comportamentos no cérebro vivo. Peter Hegemann e Georg Nagel descobriram uma proteína extraordinária, a canalrodopsina, em uma alga unicelular. Karl Deisseroth transformou a proteína em um interruptor controlado por luz para células nervosas. Os laureados lançaram as bases de uma nova era da neurociência.
Por muito tempo, entender como o cérebro controla sentimentos, comportamentos e funções do organismo foi um mistério. No século 20, pesquisadores começaram a investigar quais regiões do cérebro estavam relacionadas a determinadas funções, mas os métodos utilizados não permitiam provar relações de causa e efeito. A imagem que eles construíram do cérebro era semelhante a um mapa esquemático, repleto de pontos de interrogação e áreas desconhecidas. Agora, isso está mudando.
“A optogenética oferece possibilidades de mapear o cérebro de uma maneira que antes só podíamos imaginar”, afirma Per Svenningsson, presidente do Comitê Nobel de Fisiologia ou Medicina.
Tudo começou com a curiosidade de Peter Hegemann. Ele queria entender como a Chlamydomonas, uma alga unicelular, consegue nadar em direção a uma fonte de luz. No início dos anos 2000, ele e Georg Nagel descobriram a canalrodopsina, uma proteína de algas com propriedades únicas, encontrada na superfície da célula. Quando iluminada por luz azul, uma passagem se abre através da proteína. Íons carregados entram na célula, criando um impulso elétrico. Os pesquisadores descobriram que, independentemente da célula na qual introduzissem a proteína, essas células se tornavam sensíveis à luz.
Karl Deisseroth introduziu o gene da canalrodopsina em células nervosas de ratos. Ao iluminar as células com luz azul, ele conseguiu desencadear um sinal nervoso. Ele publicou essa descoberta em 2005. Dois anos depois, fez esse interruptor controlado por luz para células nervosas funcionar no cérebro de camundongos vivos.
Esse método de controlar sinais nervosos com luz passou a ser chamado de optogenética e rapidamente ganhou impacto mundial. Por meio da optogenética, pesquisadores conseguiram revelar circuitos neurais responsáveis por memórias, sentimentos e comportamentos específicos relacionados a distúrbios neurológicos e psiquiátricos. Na medicina clínica, pesquisadores estão utilizando o método em tentativas de restaurar a visão de pessoas com deficiência visual.
A optogenética transformou profundamente nossa compreensão do cérebro. Todos os dias, novas descobertas ajudam a solucionar um dos grandes mistérios da humanidade: como funciona o nosso extraordinário cérebro.
Karl Deisseroth, nascido em 1971. Doutor em 1998 e médico em 2000 pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos. É professor D.H. Chen e professor de Bioengenharia e de Psiquiatria e Ciências Comportamentais no Instituto Médico Howard Hughes e na Universidade Stanford, nos Estados Unidos.
Karl Deisseroth • Ill. Niklas Elmehed © Nobel Prize OutreachPeter Hegemann, nascido em 1954. Doutor em 1984 pelo Instituto Max Planck de Bioquímica, em Martinsried, na Alemanha. É professor sênior de Neurociência Hertie na Universidade Humboldt de Berlim, na Alemanha. As descobertas reconhecidas pelo prêmio foram realizadas no Instituto Max Planck de Bioquímica, em Martinsried, na Alemanha.
Peter Hegemann • Ill. Niklas Elmehed © Nobel Prize OutreachGeorg Nagel, nascido em 1953. Doutor em 1988 pela Universidade de Frankfurt, na Alemanha. É professor de Fisiologia Molecular de Plantas no Departamento de Fisiologia Molecular de Plantas e Biofísica – Botânica I, da Universidade de Würzburg, na Alemanha. As descobertas reconhecidas pelo prêmio foram realizadas no Instituto Max Planck de Biofísica, em Frankfurt, na Alemanha.
Georg Nagel • Ill. Niklas Elmehed © Nobel Prize Outreach