Lista da Casa Branca revela identidade de chefe de segurança da China
- 04/10/2026 06:00
- Redação
Um dos mais importantes — e misteriosos — funcionários da área de segurança da China saiu das sombras e foi identificado, graças, em parte, a uma lista de convidados divulgada pela Casa Branca.
O homem — um funcionário de óculos e cabelo cortado bem curto, que apareceu algumas vezes ao lado do líder chinês Xi Jinping nos últimos anos — era há muito apontado por especialistas em assuntos chineses como Zhou Hongxu, diretor do Departamento Central de Guarda, um órgão semelhante ao Serviço Secreto dos Estados Unidos.
Pequim nunca confirmou publicamente o cargo de Zhou, e sua biografia oficial traz poucos detalhes esclarecedores.
Foi somente quando a Casa Branca divulgou a lista de convidados chineses e seus cargos oficiais para o recente banquete de Estado oferecido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a Xi, que o cargo oficial de Zhou foi finalmente confirmado.
Sua presença em um evento diplomático de tamanha relevância destaca um grupo de quadros do Partido e autoridades de segurança de uma geração mais jovem — que se tornaram alguns dos assessores de maior confiança de Xi — justamente quando falta apenas um ano para o próximo congresso nacional do Partido Comunista, ocasião em que frequentemente se definem os principais cargos de liderança.
Em imagens transmitidas pela emissora estatal CCTV, Zhou pôde ser visto entre os convidados do banquete de Estado, vestindo um traje estilo Mao fechado até o pescoço e posicionado logo atrás do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Zhou também protagonizou uma rara aparição diplomática de alto nível no início deste mês, durante o encontro de Xi com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Nova Délhi.
Ele foi visto sentado entre os dois vice-ministros das Relações Exteriores da China, segundo imagens oficiais, embora a mídia estatal não o tenha identificado, apesar de sua posição de destaque.
Analistas afirmaram que o aumento das aparições públicas de Zhou é digno de nota.
“Zhou pode ser o primeiro chefe de segurança de alto escalão a participar de conversas diplomáticas de tamanha relevância, pelo menos no que diz respeito a aparições documentadas publicamente”, disse à CNN Deng Yuwen, ex-editor-adjunto do “Study Times”, a publicação oficial do principal instituto de treinamento do Partido.
Deng afirmou que a presença de Zhou no banquete de Estado na Casa Branca pode sugerir que “Xi queria deliberadamente colocá-lo em evidência”.
“E, se Xi está intencionalmente proporcionando esse tipo de exposição, isso sugere que ele está sendo incumbido de maiores responsabilidades e poderá assumir um papel mais importante na próxima reformulação da liderança”, disse Deng.
O Departamento Central de Guarda é uma das partes mais sigilosas do vasto aparato de segurança da China.
Assim como o Serviço Secreto dos EUA, o órgão tem a missão de proteger os principais líderes da China, bem como o complexo de Zhongnanhai, no coração de Pequim, onde reside a liderança do país.
A mídia estatal chinesa descreveu o departamento como “uma organização excepcionalmente incomum, que transita entre as esferas policial e militar e que exige a profunda confiança da alta cúpula do país”.
A falta de transparência em torno de Zhou tornou-se prática comum à medida que Pequim busca restringir informações sobre autoridades importantes nos últimos anos, especialmente aquelas que servem diretamente a Xi.
A agência de notícias estatal chinesa Xinhua informou que ele foi escolhido como um dos delegados para o 20º Congresso Nacional do Partido Comunista em 2022 — um importante evento político que consolidou a autoridade de Xi ao conceder-lhe um terceiro mandato, algo sem precedentes.
Ele continua sendo uma figura misteriosa e discreta internamente, e suas aparições passadas só podem ser identificadas em imagens fugazes da mídia estatal, quando acompanhava Xi em importantes encontros diplomáticos.
No entanto, quase não há informações sobre sua formação e trajetória — ou se ele teve carreira nas forças armadas ou nos serviços de segurança da China.
Imagens mais antigas divulgadas pela mídia estatal chinesa mostram Zhou participando de vários eventos, com seu cartão de identificação visível sobre a mesa.
Quando Xi realizou uma cúpula com a presidente do Nepal, Bidhya Devi Bhandari, em Katmandu, em outubro de 2019, Zhou foi visto sentado atrás do líder chinês.
Zhou também acompanhou Xi à cúpula da APEC em São Francisco, em 2023.
O antecessor de Zhou foi Wang Shaojun, que faleceu em abril de 2023. A mídia estatal chinesa, que só confirmou a morte três meses após o ocorrido, apontou uma doença não especificada como a causa.
Foi somente após sua morte que foi confirmado que ele ocupava, na época, o cargo de Diretor do Departamento de Guarda Central.
Nunca foi anunciado um sucessor.
É provável que Zhou, assim como Wang, tenha feito carreira no ELP (Exército de Libertação Popular) da China.
Zhou foi visto participando de uma visita de inspeção com Wang em 2018, quando Xi visitou o Comando do Teatro Norte do ELP e ambos — tanto Wang quanto Zhou — vestiam uniformes militares.
O Departamento Central de Guarda foi fundado em 1950, mas suas origens remontam ao período da Guerra Civil Chinesa, quando os comunistas de Mao Tsé-Tung travavam combates contra seus adversários nacionalistas.
Seu primeiro chefe, Wang Dongxing, foi um dos guarda-costas pessoais de Mao. Mais tarde, Wang tornou-se vice-presidente do Partido e membro do Comitê Permanente do Politburo.
Segundo uma reportagem de 2014 do “China Net” — um veículo de mídia ligado ao Estado e uma das poucas fontes oficiais a abordar o órgão —, sua estrutura organizacional está vinculada ao Ministério da Segurança Pública da China, onde é conhecido como “9.º Departamento”.
No entanto, ele opera de forma independente do ministério e responde diretamente ao gabinete de Xi.
A “caixa-preta” da política da elite chinesa tem sido, há muito tempo, fonte de fascínio para jornalistas, acadêmicos e governos estrangeiros.
A especulação e a tentativa de decifrar sinais ocultos em comunicados oficiais chineses e relatos da mídia estatal também tendem a se intensificar no período que antecede as principais reuniões do Partido Comunista.
Em outubro do próximo ano, o partido realizará o 21º Congresso Nacional, um evento político que ocorre a cada cinco anos e que geralmente resulta em mudanças significativas na liderança.
A maioria dos atuais altos funcionários terá mais de 70 anos nessa época, incluindo o principal diplomata da China, Wang Yi, que completará 73 anos no próximo ano.
Observadores acompanharão atentamente se uma geração mais jovem de quadros do partido será promovida a cargos-chave de poder, especialmente no Politburo e em seu Comitê Permanente — o equivalente ao círculo íntimo de Xi.
Outros funcionários mais jovens de destaque que compareceram ao banquete na Casa Branca foram a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, de 53 anos; Hong Lei, chefe de protocolo do Ministério das Relações Exteriores, de 57 anos; e Lu Luhua, secretário pessoal de Xi, que se tornou presença quase constante em viagens ao exterior.
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