Volatilidade do mercado deve crescer após 1º turno, diz especialista
- 03/10/2026 06:25
- Redação
As eleições presidenciais brasileiras têm gerado incerteza no mercado financeiro, mas a expectativa de especialistas é de que a grande volatilidade nos ativos só se materialize após o primeiro turno, quando o cenário eleitoral estiver mais definido.
Ao CNN Money, Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, apontou que há muito pouco precificado nos ativos em relação a uma eventual vitória de qualquer um dos principais candidatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O motivo, de acordo com ele, é simples: as pesquisas eleitorais mostram os dois candidatos com chances bastante elevadas e muito próximas de 50%, o que impediu os investidores de se posicionarem de forma mais definitiva para um ou outro cenário.
Siqueira reconheceu que houve alguma reação pontual no mercado nos últimos 30 dias, especialmente com uma sequência de alta que teria sido influenciada por pesquisas mostrando avanço de Flávio Bolsonaro. No entanto, avaliou que essa movimentação foi pequena, reflexo direto da incerteza persistente nas pesquisas.
A visão de Fernando Siqueira é de que os dias imediatamente anteriores ao primeiro turno podem trazer alguma movimentação mais intensa no mercado, com investidores tentando antecipar para qual lado as pesquisas podem errar.
Contudo, ele ressaltou que “a grande movimentação vai acontecer na segunda-feira que vem”, ou seja, após a apuração do primeiro turno.
“Com essas informações, vai ser mais fácil você tentar ver para que lado o pêndulo pende no segundo turno”, explicou.
Segundo ele, o resultado do primeiro turno fornecerá um conjunto muito maior de informações, aumentando a previsibilidade e levando os investidores a tomarem decisões mais concretas pensando no pleito seguinte.
O único cenário em que não haveria movimentação relevante seria se as pesquisas acertassem os resultados com precisão para todos os candidatos, o que eliminaria qualquer informação nova para o mercado.
Ao ser questionado sobre o interesse do investidor estrangeiro no Brasil, diante de um cenário internacional desafiador — com juros elevados nos Estados Unidos e tensões geopolíticas —, Siqueira avaliou que o país ainda atrai atenção significativa.
“Muitos investidores estrangeiros já estão olhando isso com atenção, começando a fazer posição para esse evento”, disse.
Ele destacou que sinais recentes apontam para investidores fazendo posições via opções do EWZ, índice que representa principalmente o Ibovespa negociado na Bolsa americana.
Para Siqueira, mesmo com o cenário internacional difícil, é muito provável que a eleição seja o fator determinante para uma alta ou queda forte nos próximos dias.
Como exemplo, ele citou as reações expressivas observadas nos mercados da Colômbia e da Argentina após seus respectivos pleitos, mesmo em períodos de ambiente externo adverso.
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