Lula mostra camisa com frase “as Malvinas são argentinas” durante ato no RJ
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Lula mostra camisa com frase “as Malvinas são argentinas” durante ato no RJ

  • 02/10/2026 18:24
  • Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levantou uma camiseta com os dizeres “as Malvinas são argentinas” nesta sexta-feira (2), durante um ato de campanha no centro do Rio de Janeiro.

Apesar da relação marcada por atritos entre os presidentes Lula e o argentino Javier Milei, o mandatário brasileiro mantém seu posicionamento a favor da soberania argentina sobre as ilhas desde 2010.

Há 16 anos, durante sua participação no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Lula defendeu “reabrir” a discussão em torno da jurisdição sobre a região, disputada por Argentina e Grã-Bretanha.

“Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Qual a explicação política de as Nações Unidas já não terem tomado uma decisão dizendo: não é possível que a Argentina não seja dona das Malvinas e seja um país (Grã-Bretanha) a 14 mil quilômetros de distância?”, questionou o presidente.

O mandatário retomou sua defesa em março de 2024, durante a Cúpula da Celac, realizada em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas.

Os jornais argentinos, como Clarín, El Día e TN, repercutiram o ato de campanha, enfatizando o movimento de Lula a dois dias das eleições brasileiras.

O que são as Ilhas Malvinas?

As Malvinas são um arquipélago no Oceano Atlântico Sul, situado cerca de 500 km a leste do território continental argentino e a aproximadamente 13.000 km do Reino Unido. Elas consistem em duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — e 778 ilhas menores.

O primeiro desembarque registrado nas ilhas ocorreu em 1690, realizado pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu a posse formal da Malvina Ocidental em 1765 e, embora a França e a Espanha tenham mantido assentamentos nas ilhas em diferentes momentos, os britânicos reafirmaram seu controle em 1833 e as administram desde então.

As Malvinas, com uma população de cerca de 3.660 habitantes, possuem sua própria assembleia legislativa eleita para gerir assuntos internos. A maioria dos moradores é de origem britânica, embora a população também inclua pessoas de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.

A economia é baseada principalmente em licenças de pesca, agropecuária e turismo.

Por que a Grã-Bretanha e a Argentina entraram em guerra pelas Malvinas?

A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas argumentando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que a Grã-Bretanha assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal.

O Reino Unido sustenta que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro.

Em abril de 1982, o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas, acreditando que a Grã-Bretanha não responderia com força militar.

No entanto, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, e a derrota acelerou a queda da junta militar argentina.

Ao todo, 649 argentinos morreram nos combates, assim como 255 militares britânicos e três habitantes das Ilhas Malvinas.

O conflito foi um momento decisivo para Thatcher, que enfrentava dificuldades no governo antes da guerra.

A vitória foi celebrada com entusiasmo pela imprensa britânica e reforçou a confiança nas forças armadas, após um período em que seu poderio global havia sido amplamente questionado.

O conflito — e a reivindicação contínua do Reino Unido sobre as ilhas — gerou um profundo ressentimento na Argentina, que persiste até hoje.

Os Estados Unidos tentaram mediar a situação inicialmente, mas depois apoiaram o Reino Unido com inteligência, logística e acesso a instalações militares.

A França, que havia fornecido mísseis à Argentina antes da guerra, impôs posteriormente um embargo de armas a Buenos Aires e prestou apoio de inteligência e logística ao Reino Unido durante o conflito.

 

  • Fonte: CNN Brasil
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