Chuvas no Centro-Sul prejudicam colheita de cana-de-açúcar
- 02/10/2026 16:03
- Redação
As usinas brasileiras enfrentam dificuldades para manter as operações de colheita da cana-de-açúcar em níveis normais, já que as chuvas excessivas no centro-sul do país prejudicam o trabalho no campo e também afetam os embarques nos principais portos.
Uma pesquisa da consultoria Datagro divulgada nesta sexta-feira mostrou que a média de cana moída por usina no centro-sul caiu para 76.242 toneladas métricas na semana encerrada em 27 de setembro, ante 105.844 toneladas por semana no início de agosto.
“As chuvas afetaram bastante a moagem em setembro”, disse Bruno Wanderley de Freitas, economista sênior da Datagro, acrescentando que há previsão de mais chuvas nos próximos dias na região, o que continuará prejudicando a colheita.
A Datagro estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana ficarão nos campos para processamento no próximo ano, devido à incapacidade das usinas de concluir a colheita, já que as máquinas enfrentam dificuldades para operar em condições de umidade.
O fenômeno climático El Niño geralmente torna o sul do Brasil mais chuvoso, enquanto o norte fica mais seco. Uma estação de monitoramento climático mantida pela Universidade de São Paulo na região açucareira de Piracicaba mostrou que o período de inverno que acabou de terminar foi o mais chuvoso em 110 anos.
A cana deixada nos campos só será processada no ano que vem, por volta de março.
Chuvas acima da média no centro-sul do Brasil também estão prejudicando as operações portuárias, disse Michael McDougall, analista sênior do setor sucroalcooleiro e consultor da McDougall Global View.
“É uma cascata de problemas decorrentes das chuvas do El Niño”, disse ele. Os preços do açúcar subiram até 5% em Nova York na sexta-feira devido às chuvas no Brasil e a outros problemas de produção na Europa e na Ásia.
McDougall citou dados de corretores de navegação que mostram que o principal porto de carregamento de açúcar, em Santos, teve que interromper as operações por pelo menos 35 dias no trimestre de julho a setembro devido às chuvas.
Como os berços de carregamento não são cobertos, as operadoras portuárias interrompem o carregamento quando chove para evitar que o açúcar se molhe.
O porto de Paranaguá também registrou 30 interrupções nesse trimestre.