Crédito, seguro e logística: os desafios do próximo presidente para o agro
- 02/10/2026 07:10
- Redação
O próximo presidente terá pela frente uma agenda de problemas que, apesar das diferenças entre os candidatos, aparece de forma recorrente nas demandas do agronegócio: crédito mais previsível, seguro rural capaz de responder aos eventos climáticos, infraestrutura para reduzir o custo de produção e escoamento, segurança jurídica e abertura de mercados.
O desafio principal é definir como financiar o crescimento do setor e reduzir sua exposição a riscos que aumentaram nos últimos anos.
A agenda apresentada pelas entidades do setor converge justamente nesses pontos. A Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), por exemplo, colocou entre suas prioridades para o próximo governo um marco plurianual para crédito e seguro rural, infraestrutura física e digital, oferta de insumos estratégicos, segurança jurídica, inovação e maior protagonismo internacional. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) também defende um Plano Agrícola e Pecuário plurianual, mais recursos para o seguro rural, mecanismos de garantia e ampliação do financiamento privado.
O crédito é uma das questões mais sensíveis. O agro passou a depender mais de instrumentos privados, como CRAs e Fiagros, mas o custo do dinheiro e o aumento da percepção de risco tornam mais difícil financiar a produção e, principalmente, novos investimentos. A discussão para o próximo mandato tende a ser menos sobre simplesmente aumentar o volume nominal do Plano Safra e mais sobre como combinar recursos públicos, mercado de capitais, garantias e seguro para ampliar a oferta de crédito.
O seguro rural é outro ponto que ganhou peso depois de sucessivos eventos climáticos. Para o setor, o desafio é transformar o seguro em uma política mais previsível, capaz de reduzir a necessidade de renegociações de dívidas depois de uma quebra de safra. A CNA, por exemplo, propõe R$ 4 bilhões para a subvenção ao prêmio do seguro rural e a modernização do marco legal do instrumento.
Há ainda uma agenda de infraestrutura que começa dentro da propriedade e termina nos portos. Armazenagem, irrigação, estradas, ferrovias, hidrovias e conectividade são gargalos que afetam diretamente o custo do agro brasileiro. O próprio Plano Safra 2026/27 prevê linhas para armazenagem e irrigação, mas o problema é estrutural e depende de investimentos que ultrapassam o crédito rural.
Na área de insumos, a dependência brasileira de fertilizantes importados continua colocando o setor diante de riscos externos. Os programas dos candidatos já apresentados à eleição incorporam, com diferentes propostas, a necessidade de ampliar a produção nacional e diversificar as fontes de importação.
No comércio exterior, o próximo governo também terá de lidar com um ambiente mais fragmentado, marcado por tarifas, barreiras sanitárias e disputas geopolíticas. O desafio para o Brasil é manter os grandes mercados e, ao mesmo tempo, diversificar compradores e agregar valor às exportações.
É nesse ponto que entram as diferenças entre os presidenciáveis. Em agosto, a CNN Brasil mostrou que os cinco candidatos então mais bem colocados no Índice CNN — Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos — reconheciam a importância econômica e estratégica do agro, mas apresentavam soluções distintas.
Lula propõe reformular o Plano Safra para um modelo plurianual, ampliar o seguro rural, investir em tecnologia, conectividade, irrigação e fertilizantes e continuar buscando novos mercados.
Flávio Bolsonaro concentra sua proposta em previsibilidade, seguro rural, redução dos custos de transporte, irrigação, armazenagem, Embrapa e conectividade.
Caiado defende maior participação do mercado de capitais no financiamento, com CRA, Fiagro e debêntures, além de um Plano Safra plurianual e investimentos em seguro e infraestrutura.
Zema aposta na redução de entraves regulatórios, melhoria da logística e ampliação do seguro.
Renan Santos propõe maior agregação de valor às cadeias agroindustriais, crédito vinculado a metas produtivas e de exportação e maior uso de tecnologia.