Manchester City deve recorrer de condenação por irregularidades financeiras
- 02/10/2026 05:27
- Redação
O Manchester City deve apresentar, até esta sexta-feira (2), um recurso contra a decisão de uma comissão independente que considerou o clube culpado de violações das regras financeiras da Premier League. O caso abre um novo capítulo em uma das disputas jurídicas mais importantes da história recente do futebol inglês.
O clube nega qualquer irregularidade e pretende contestar as conclusões de que teria utilizado contratos comerciais considerados fictícios para inflar receitas e subestimar custos em mais de 900 milhões de libras (cerca de R$ 6,2 bilhões) ao longo de quase uma década.
O Manchester City afirma ter um conjunto de “provas irrefutáveis” para limpar seu nome. A expectativa é que a defesa argumente que o governo de Abu Dhabi — e não os proprietários do clube — financiou parte dos acordos de patrocínio questionados.
A Federação Inglesa de Futebol (FA) informou que acompanha de perto o caso.
“A decisão da Comissão Independente tem implicações significativas para a integridade do esporte”, afirmou a entidade em comunicado divulgado nesta sexta-feira.
“Estamos analisando cuidadosamente a decisão e suas implicações e tomaremos medidas quando for apropriado”, acrescentou.
As novas regras de tramitação acelerada da Premier League determinam que uma audiência de recurso seja realizada em até 12 semanas após a apresentação do pedido. A decisão deve ser divulgada em até 30 dias depois do encerramento da audiência.
O Manchester City, porém, deve argumentar que essas regras não estavam em vigor quando o clube foi formalmente acusado, em fevereiro de 2023.
Os desdobramentos da investigação podem ultrapassar as sanções esportivas. Na quinta-feira (1º), a presidente do Comitê do Tesouro do Parlamento britânico, Meg Hillier, questionou a autoridade tributária do Reino Unido (HMRC) sobre as medidas que pretende adotar diante das conclusões da Premier League.
Hillier afirmou ter escrito ao secretário permanente da HMRC, JP Marks, após a divulgação, na terça-feira (29), da decisão da comissão independente. O documento concluiu que o clube cometeu “bem mais de 100 violações individuais das regras da Premier League ao longo de várias temporadas”.
Advogados especializados em direito esportivo preveem que o caso ainda poderá gerar anos de disputas judiciais. Clubes rivais, jogadores e agentes avaliam se há fundamentos para entrar com pedidos de indenização relacionados às irregularidades apontadas.