Camisa histórica do último título de Jordan é leiloada por valor recorde
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Camisa histórica do último título de Jordan é leiloada por valor recorde

  • 01/10/2026 15:39
  • Redação

A lendária camisa usada por Michael Jordan no terceiro jogo das finais da NBA de 1998 foi arrematada na última terça-feira, pelo impressionante valor de 12,26 milhões de dólares, o equivalente a R$ 63 milhões.

O leilão, conduzido pela plataforma digital Joopiter nos Estados Unidos, estabeleceu o recorde de valor mais alto da história para um artigo esportivo utilizado pelo ex-atleta.

O item histórico foi vestido pelo camisa 23 no dia 7 de junho de 1998, durante a grande vitória do Chicago Bulls sobre o Utah Jazz, por 96 a 54. Naquela emblemática partida, Jordan esteve em quadra por 43 minutos, tempo suficiente para anotar 24 pontos, três rebotes e duas assistências.

O resultado positivo garantiu a liderança provisória na série, que posteriormente fecharam o confronto em 4 a 2 para assegurar o sexto e último título daquela dinastia comandada pelo técnico Phil Jackson e que contava com outros astros do quilate de Scottie Pippen e Dennis Rodman.

Amplamente considerado o maior jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan acumulou seis anéis de campeão, seis prêmios de MVP das finais e cinco troféus de MVP da temporada regular, além de duas medalhas de ouro olímpicas. Fora do âmbito competitivo, o ex-jogador revolucionou o mercado esportivo global por meio de sua marca Air Jordan, em parceria com a Nike, e protagonizou o icônico filme Space Jam.

Esse fenômeno financeiro ilustra como o valor construído pelo esporte de alto rendimento vai muito além do momento exato em que a competição acontece. O que se cria em torno de figuras lendárias é um ativo cultural, emocional e comercial perene, capaz de continuar gerando valor e fascinando o público por gerações. A busca por esses tesouros esportivos movimenta fortunas e coloca uniformes históricos no mesmo patamar de obras de arte raras.

“Nenhuma outra atividade humana é capaz de unir povos e superar barreiras culturais como o Esporte. Figuras como Jordan ocupam o lugar de Deuses e Mitos no nosso imaginário desde o Século XX. O valor de arremate mostra como é forte, até entre os mais ricos e poderosos, o fascínio pelo que nos faz transcender. Em uma sociedade onde o “ter” é tão importante, quanto vale ter um pedaço da história e do sagrado?”, indaga Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore no Brasil, com experiência em marketing esportivo, comunicação, inovação e ESG no mundo dos esportes.

Exemplos desse mercado bilionário não faltam no cenário mundial. A histórica camisa azul número 10 usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958, quando marcou dois gols contra a Suécia aos 17 anos e garantiu o primeiro título mundial do Brasil, foi leiloada recentemente pela Sotheby’s por impressionantes 4,9 milhões de dólares (cerca de R$ 25 milhões).

No topo do futebol mundial, a mística camisa da Argentina vestida por Diego Maradona nas quartas de final da Copa de 1986 — partida eternizada pelo gol da “Mão de Deus” e pelo “Gol do Século” contra a Inglaterra — foi arrematada por US$ 9,28 milhões (mais de R$ 48 milhões na cotação da época), provando que mantos sagrados do esporte valem, literalmente, preço de ouro.

“Esse leilão mostra a força de uma marca pessoal construída ao longo do tempo. O valor de uma peça como essa está na sua raridade, mas também em tudo o que Michael Jordan representa para o esporte e para a cultura, e nas memórias que sua trajetória desperta no público. Para as marcas, o caso reforça a importância de construir associações consistentes com atletas e propriedades esportivas. Quando existe afinidade e uma história construída em conjunto, o patrocínio pode criar vínculos que permanecem relevantes muito depois de uma competição ou do fim de um contrato”, acrescenta Thiciana Simão, CEO e cofundadora da AdSports, plataforma digital que conecta entidades, atletas e eventos esportivos a marcas interessadas em patrocínio.

A camisa de Michael Jordan que foi leiloada por R$ 63 milhões • Divulgação/Joopiter

O mercado de relíquias do futebol também consagrou a era moderna com o kit de seis camisas usadas por Lionel Messi durante as primeiras etapas e na grande final da Copa do Mundo de 2022 no Catar; o conjunto que marcou o ápice da carreira do craque argentino e o tão sonhado título mundial foi arrematado em bloco por 7,8 milhões de dólares.

“O esporte de alto rendimento não vende apenas entretenimento momentâneo, mas constrói ativos culturais e comerciais vitalícios. Jordan revolucionou a relação entre atletas e marcas com a criação da Air Jordan, e esse recorde no leilão da lendária regata vermelha mostra que o seu valor de mercado continua crescendo, mesmo décadas após sua aposentadoria. Figuras como Jordan, Pelé e Maradona transcenderam suas modalidades. Eles se tornaram marcas globais tão valiosas e estáveis que suas relíquias agora competem com o mercado de obras de arte raras. Investidores e colecionadores enxergam essas peças como patrimônios de alto valor, impulsionadas pelo peso histórico”, explica Rafael Soares, especialista em gestão e marketing esportivo.

Fechando esse seleto grupo dos mantos mais valiosos da história está a armadura preta do Los Angeles Lakers usada por Kobe Bryant durante a sua icônica temporada de MVP em 2007-2008, que alcançou o valor de 5,85 milhões de dólares, imortalizando o legado do “Black Mamba” em fios de tecido que transcendem o próprio esporte.

Mas na liderança neste quesito está o lendário jogador de beisebol Babe Ruth, cujo uniforme usado no histórico jogo do “called shot” na World Series de 1932, pelo New York Yankees, foi leiloado pela impressionante marca de 24,12 milhões de dólares, consolidando-se como a peça de vestuário esportivo mais cara já vendida no planeta. Logo atrás vem o próprio Michael Jordan.

“Uma camisa ser vendida por mais de R$ 63 milhões décadas depois de ter sido usada em uma partida mostra que o valor construído pelo esporte vai muito além do momento em que ele acontece. O que se cria é um ativo cultural, emocional e comercial que pode continuar gerando valor por gerações. Para as marcas, essa é uma das características mais poderosas do esporte: quando uma propriedade consegue se conectar de verdade com as pessoas, ela deixa de ser apenas uma plataforma de exposição e passa a fazer parte da história”, analisa Wagner Leitzke, Head de Desenvolvimento de Negócios (Business Development) da Agência End to End, empresa que faz a gestão de dezenas de clubes e busca conectar torcedores, marcas e entidades esportivas.

  • Fonte: CNN Brasil
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