Adão e Eva do algoritmo: quem eram as pessoas comuns usadas em um experimento militar nos anos 90 para ensinar máquinas a reconhecer rostos
- 01/10/2026 14:06
- Redação
Na década de 1990, a DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa), vinculada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, reuniu milhares de funcionários do governo para um teste pioneiro de reconhecimento facial.
Fotografados contra um fundo azul neutro, esses indivíduos integraram o banco de dados inicial utilizado para treinar algoritmos no mapeamento de feições físicas, como a largura do nariz e o espaçamento entre os olhos.
Funcionários públicos dos EUA posaram para fotos da DARPA sem prever que seus dados biométricos moldariam a tecnologia de reconhecimento facial moderna • Cortesia da artista/bolsa/Jessica Silverman Gallery, São Francisco/Pace Gallery, Nova YorkAnos mais tarde, o artista Trevor Paglen resgatou esse conjunto de dados de domínio público para a série “It Began as a Military Experiment”. Ao submeter os retratos a softwares analíticos, Paglen exibiu marcadores gráficos sobre cantos dos olhos, narinas e lábios.
O processo evidencia a conversão de feições humanas em informações quantificáveis, princípio que viabiliza atualmente o desbloqueio de celulares e a checagem de segurança em aeroportos.
A iniciativa levanta debates sobre a ausência de consentimento informado para finalidades futuras. Na ocasião, os participantes não tinham condições de prever que suas imagens alimentariam sistemas de vigilância algorítmica ou conjuntos de dados de inteligência artificial.
A análise expõe como registros fotográficos do passado foram incorporados retroativamente a modelos de extração de dados e monitoramento digital.
*com informações de Jacqui Palumbo da CNN